sábado, 12 de outubro de 2024

poema para todas as horas

 Primeiro de uma série está no AR - é só clicar no link baixar e navegar pelo coração do mato dentro - Gratidão mais uma vez ao grande amigo e parceiro Jiddu Saldanha, amizade e parceria que começou quando nos conhecemos em 1992 quando ele estava chegando de Curitiba no Rio de Janeiro.
Novo e-Books, esse eu fiz para o Artur Gomes, o poeta mais escrachado da geração 1970!
Acompanho a trajetória desse poeta a pelo menos 30 anos. Fizemos um e-Book arqueológico, o leitor vai garimpar seu vasto mundo na internet... http://bit.ly/PoemasParaTodasAsHoras 

 

 



 Dani-se morreale


se ela me pisar nos calos
me cumer o fígado
me botar de quatro
assim como cavalo
galopar meus pelos
devorar as vértebras
Dani-se

se ela me vier de unhas
me lascar os dentes
até sangrar o sexo
me enfiar a faca
apunhalar meus olhos
perfurar meus dedos
Dani-se

se o amor for bruto
até mesmo sádico
neste instante lírico
se comédia ou trágico
quero estar no ato
e Dani-se o fato
deste sangue quente
em tua boca dos infernos
deixa queimar os ossos
e explodir os nossos
poemas físicos pós modernos

Artur Gomes
O Poeta Enquanto Coisa
Editora Penalux – 2020
leia mais no blog

https://fulinaimacarnavalhagumes.blogspot.com/


suspenso
no Ar
não penso
atravesso
o portão da tua casa
o corpo em fogo
a carne em brasa
tudo arde
nas cinzas das horas
no silêncio da tarde
vou entrando sem alarde
sem comício
como o pássaro
que acaba de cantar
em pleno hospício

você pensa que escrevo em rua reta ou estrada sinuosa para você poesia é verso do inverso ou avesso de uma prosa? escrevi pscanalítica 67 em mil novecentos e sessenta e sete numa madrugada de setembro outubro quando visitei meu pai no henrique roxo e vi vespasiano contra a parede dando cabeçadas no manicômio mais uma vida exterminada e no fim das contas noves fora nada tudo o que eu queria dizer naquela hora explode agora quando atravesso o portão da tua casa o corpo em fogo a carne em brasa sem pensar estética estrutura estilo de linguagem sinto o desejo entre os teus mamilos a espera do beijo da esfinge que devora

Artur Gomes
PoÉticas ArturiAnas



 Fulinaimicamente – TranspoÉticas

Coletânea Poetas Vivos – Artur Gomes

cacomanga 2

ali nasci
minha infância
era só canaviais
ali mesmo aprendi
conhecer os donos de fazenda
e odiar os generais.
leia mais no blog

https://fulinaimicamente.blogspot.com/



 POETARIADO EM CARNE VIVA!


Seria horrivelmente interessante, levando a expressão ao pé da letra, ver poetas na rua declamando poemas em carne viva. Sem tentar depelar nenhum poeta ou escritor, e levando para o campo da poesia, a metáfora “carne viva” remete à própria função da poesia: desvelar os mistérios do mundo. Depelar o corpo da palavra, revelar seu mistério.

Muitos não conseguem transformar seus versos em bisturis. Outros fazem dessa habilidade sua marca:

TROVA

MEU coração é tão hipócrita
que não janta
e
mais imbecil
que ainda canta:
ou
viram no ipiranga
às margens plácidas
uma bandeira arriada
num país que não levanta.

Não, esse poema não foi escrito nos tempos atuais, foi publicado há muitos anos no livro Couro Cru & Carne Viva (Damadá, 1987) escrito por Artur Gomes, o convidado do Canal do Poetariado que acontece na próxima 2ª. Feira.

Artur Gomes é poeta, ator, videomaker e produtor de oficinas e atividades culturais. Nesse bate-papo, experimentaremos, junto com Tchello d´Barros e Ademir Assunção, seu bisturi poético.


Acho que você não deve perder.

Agende-se.
Clique no link:
https://youtu.be/qyCSwzGZ9lk

Bom programa!
Cesar Augusto de Carvalho


 poema atávico


e se a gente se amasse uma vez só
a tarde ainda arde primavera tanta
nesse outubro quanto
de manhãs tão cinzas

nesse momento em Bento Gonçalves
Mauri Menegotto termina
de lapidar mais uma pedra
tem seus olhos no brilho da escultura

confesso tenho andado meio triste
na geografia da distância
esse poema atávico tem
a cor da tua pele
a carne sob os lençóis
onde meus dedos
ainda não nasceram

algum deus
anda me pregando peças
num lance de dados mallarmaicos
comovido
ainda te procuro em palavras aramaicas
e a pele dos meus olhos anda perdida
em teu vestido

Artur Gomes

Do livro O Poeta Enquanto Coisa
Editora Penalux – 2020
leia mais no blog
https://fulinaimargem.blogspot.com


 O poeta é um fingidor


chove aqui dentro
mais do que lá fora
eu tenho pressa
de olhar teus olhos
nesse mar de angra
o pau brasil sangra

enquanto isso
ela passeia no egito
entre templos sagrados
dessas múmias quânticas

me perdoa
o poeta é um fingidor
mas eu não sou Fernando Pessoa

Artur Gomes

por onde andará Macunaíma?
https://porradalirica.blogspot.com/


hoje
nesse tempo frio
me perdi de vista
bem na beira mar
quase beira rio

Federika Lispector


o curral das merdavilhas

o brasil já foi ilha de vera cruz
e nunca foi ilha
já foi terra de santa cruz
e nunca foi santa
hoje ninguém mais se espanta
com o volume das trapaças
no curral das merdavilhas

Artur Fulinaíma

https://ciadesafiodeteatro.blogspot.com/
 


entretanto

musicado por Paulo Ciranda

eu tenho sede
eu tenho fome
eu tenho sede de canto
eu tenho fome de conto
assim quando me encontro
ou desencontro
canto e conto
a música do desconcerto
o conto do desencanto
e no entanto confesso
que não sou triste
um poema ainda existe
pra me animar do desconforto
para me salvar do entretanto
pra me acertar no desconcerto

Artur Gomes
leia programação no blog

https://centrodeartefulinaima.blogspot.com



O Pau Brasil sangra


Amazônia clama por socorro
o fogo queima e o mundo
gira feito carrapeta
armar o país de livros
única forma de salvação para o planeta

olha o tesouro que acaba de chegar aqui na Estação 353. com este poema do livro Pátria A(r)mada 2ª Edição.
valeu Luis Turiba - grande amigo poeta e parceiro

Deus não joga dados
mas a gente lança
sem nem mesmo saber
se alcança
o número que se quer
mas como me disse mallarmè
:
- vida não é lance de dedos
A vida é lança de dardos
Deus não arde no fogo
mas eu ardo

Artur Gomes
Pátria A(r)mada –
Prêmio Oswald de Andrade – UBE-Rio 2020
2ª Edição – 2022
Desconcertos Editora – São Paulo-SP
https://arturgumesfulinaima.blogspot.com/

Goytacá Boy
musicado e cantado por Naiman
no CD fulinaíma sax blues poesia

ando por São Paulo meio Araraquara
a pele índia do meu corpo
concha de sangue em tua veia
sangrada ao sol na carne clara

juntei meu goytacá teu guarani
tupy or not tupy
não foi a língua que ouvi
em tua boca caiçara

para falar para lamber para lembrar
da sua língua arco íris litoral
como colar de uiara
é que eu choro como a chuva curuminha
mineral da mais profunda
lágrima que mãe chorara

para roçar para provar para tocar
na sua pele urucum de carne e osso
a minha língua tara
sonha cumer do teu almoço
e ainda como um doido curuminha
a lamber o chão que restou da Guanabara

Artur Gomes
Juras Secretas
Editora Penalux – 2018
Gravado em vídeo pelo autor integra a Mostra Arte de Toda Gente – FUNARTE_Rio – 2021 – Curadoria: Tchello d´Barros
https://fulinaimacentrodearte.blogspot.com/



quando te tocar
é pra alvoroçar os teus cabelos
eriçar teus pelos
molhar os teus mamilos de saliva
com essa língua viva
aqui na minha boca

quando te roçar

é pra deixar-te louca

endurecer teus dedos

gozar em samba/enredo

se eu te cantar sem  medo

        toda loucura é pouca

quando eu provar da carne

te enfiando a língua

nessa garganta rouca

te engolindo ainda

até findar o coito

e não dormir de toca  

Artur Gomes
https://suorecio.blogspot.com/



 Juras secreta 62


tenho estado
entre o fio e a navalha
perigosamente – no limite
pulando a cerca da fronteira
entre o teu estado de sítio
e o meu estado de surto

só curto a palavra viva
odeio uma língua morta

poema que presta é linguagem
pratico a SagaraNAgem
na esquina da rua torta

Artur Gomes
Juras Secretas
Edititora Penalux – 2018
https://braziliricapereira .blogspot.com/



o poema as vezes é sabre

lâmina fina como o vento
ou folhas suspensas
sobre um verde
quase água
quase pluma
levita sobrevoa se espraia
na voragem do dia
como os dedos da moça
ao atiçar o clic
no instante exato da fotografia

                         Artur Gomes


Alice
para Alice Melo Monteiro Gomes

A música está no bico dos pássaros
na pétala da lamparina
no caracol dos teus cabelos
no movimento dos músculos
no m das tuas mãos
nada mais sagrado
do que teus olhos acesos
para me iluminar na escuridão

Artur Gomes
O Poeta Enquanto Coisa
Editora Penalux - 2020
https://centrodeartefulinaima.blogspot.com/


discípulo de Rimbaud

minha tv pifou
nem tenho ido ao cinema
meu filme está carne da palavra
esse poema é trágico
me lembra infância lá na cacomanga
televisão nunca tivemos
era rádio de pilha depois de bateria
meu pai criava porcos
para vender na primavera
e complementar o seu salário
que nem o mínimo era
carteira de trabalho nunca teve
como administrador de uma fazenda
com mais de 1000 alqueires de terra
com produção agropecuária
canavieira e cerâmica industrial
esse é um poema em linha reta
nem seu por quê e para que
me tornei poeta discípulo de Rimbaud
talvez só para escrever
que no Brasil mesmo depois da Abolição
Escravidão nunca terminou

Artur Gomes

Balbúrdia Poética
https://fulinaimatupiniquim.blogspot.com







ela tem o olhar
sobre a ponte do conhecimento
de Darcy Ribeiro - primeiro grafou
o meu poema com sua bela grafia
depois pintou a ponte
com óleo sobre tela
e fez com que o meu olhar
fosse de encontro à sua arte
do outro lado da janela

Artur Gomes
5 - Abril - 2023 - para Bruna Barreto

leia mais no blog
https://fulinaimacentrodearte.blogspot.com/


A flor dos meus delírios
tem cheiro de poesia
relâmpagos de Iansã
incêndio no meio dia
Netuno em polvorosa
me disse em verso e prosa
que ela vem com o frescor da maresia
e eu serei o seu Ogum
anjo da guarda e companhia
hoje mesmo distante
esse preamar me incendeia
ondas espumas explodem na areia
tempestades trovoadas ventania
e nem sei se estando perto
calmaria

Artur Gomes


Xingando poesia a convite de Marcelo Sampaio, na Abertura da VIII Conferência Municipal de Cultura de Campos


era uma vez um mangue
e por onde andará Macunaíma
na sua carne no seu sangue
na medula no seu osso
será que ainda existe
algum vestígio de Macunaíma
na veia do seu pescoço

tá no canto da sereia
no rabo da arraia
nos barracos da favela
nos becos do matadouro
na usina sapucaia?

Joilson Bessa me disse
Kapiducéu já ensaia
Macunaíma vem vindo
no Auto do Boi Macutraia

Artur Gomes

Fragmento do prefácio do livro O Homem Com A Flor Na Boca

Artur Gomes, este homem com a flor na boca, anda a espalhar o veneno agridoce de sua poesia, numa obra em que não há fronteiras entre o artista, o cidadão, o personagem, o eu poético, a obra. Seu livro não é um objeto, mas um produto interno e nada bruto. A obra é sempre muito maior que o livro, pois este, matéria assim como o homem, finda. A obra, esse totem que se pode cultuar no altar da memória, está sempre presente. E é disso que o poeta fala: do tempo presente, do homem presente, da vida presente. Parafraseando Drummond, com O Homem Com A Flor Na Boca, “não nos afastemos, não nos afastemos muito”, vamos de mãos dadas com a poesia de Artur.

Adriano Carlos Moura
Professor de Literatura – IFFluminense, Campos dos Goytacazes-RJ – Poeta, Ator, Dramaturgo

leia mais no blog

https://arturgumes.blogspot.com/


minha madrinha se chamava cecília nunca soube onde minha mãe a conheceu por muitos anos morou na rua sacramento ao lado do colégio estadual nilo peçanha primeiro endereço que conheci nesta cidade antes de estudar no grupo escolar 15 de novembro de onde muitas vezes assisti desfilar a mocidade louca ao lado do meu padrinho benedito que inventou deixa que eu chuto meu guardião absoluto

Artur Gomes
Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim


 no princípio era fábula depois veio o verbo logo depois a ficção e aí começou a invenção bem depois das sagaranagens antes fulinaimargens depois das fulinaimânicas atrás das fulinaímicas nem circo nem tarde de mímica apenas alguma paisagem na janela da viagem quando lia o lado b me transmutando em alquimia na voragem da vertigem na vertigem da voragem 


Artur gomes
Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim
leia mais no blog 

           https://fulinaimacentrodearte.blogspot.com/



 cacos de ossos

sonhos estilhaçados
no chão
palavras dilaceradas
carne incinerada
ditadura cão

reflexo no espelho
do poema
NÃO

Artur Gomes
Vampiro Goytacá/Canibal Tupiniquim
https://arturgumes.blogspot.com/

Arte: Tchello d'Barros



meu coração marisco
pele de ostra em tua areia
em tarde de sol à pino
em noite de lua cheia

Artur Fulinaíma
- foto.poesia

https://fulinaimacentrodearte.blogspot.com/

metáfora

meta dentro
meta fora
que a meta desse trem agora
é seta nesse tempo duro
meta palavra reta
para abrir qualquer trincheira
na carne seca do futuro
meta dentro dessa meta
a chama da lamparina
com facho de fogo na retina
pra clarear o fosso escuro

Artur Gomes
Balbúrdia Poética

      nas entre/linhas

no desenho da estrada que atravesso tem um corpo adormecido esperando por um beijo. Eu te desenho e você não vê a geografia corporal em cada traço. Eu te coloco dentro do poema e teu corpo treme nas entre linhas do desejo. Desenho teus olhos no espelho e você não vê nas águas o reflexo da alga que brotou no mar sob a luz da madrugada.

Artur Gomes


Toda Nudez Não Será Castigada

roberta agora
só se for cainelli
bruna só se for polleto

vestido
pode ser a pele
que encobre
a nudez do esqueleto

o beijo agora
só se for ao vivo
e-mail só se for inteiro

fantasia
só se for de tanga
camila agora
só se for pitanga

e carnaval
a gente transa
em fevereiro

Artur Gomes Gumes



fosse Alice essa menina
brincando à flor da pele

ou com a pele em flor

de purpurina
na menina dos meus olhos

flores do mal

ou bem-me-quer
seria eu um mar de abrolhos
pra molhar esses dois olhos
que me olham sem querer

Federico Baudelaire



sejamos pornográficos como
Carlos Drummond de Andrade

Em face dos últimos acontecimentos

Oh! sejamos pornográficos
(docemente pornográficos).
Por que seremos mais castos
Que o nosso avô português?

Oh ! sejamos navegantes,
bandeirantes e guerreiros,
sejamos tudo que quiserem,
sobretudo pornográficos.

A tarde pode ser triste
e as mulheres podem doer
como dói um soco no olho
(pornográficos, pornográficos).

Teus amigos estão sorrindo
de tua última resolução.
Pensavam que o suicídio
Fosse a última resolução.
Não compreendem, coitados
que o melhor é ser pornográfico.

Propõe isso a teu vizinho,
ao condutor do teu bonde,
a todas as criaturas
que são inúteis e existem,
propõe ao homem de óculos
e à mulher da trouxa de roupa.
Dize a todos: Meus irmãos,
não quereis ser pornográficos


o fotógrafo é um fingidor
finge tão completamente
que chega a fingir que é foto
a realidade aqui presente

Artur Gomes
foto.poesia
da série: Litoral de São Francisco de Itabapoana


leia mais no blog

https://arturkabrunco.blogspot.com/


Subversiva

A poesia
Quando chega
Não respeita nada.

Nem pai nem mãe.
Quando ela chega
De qualquer de seus abismos

Desconhece o Estado e a Sociedade Civil
Infringe o Código de Águas
Relincha

Como puta
Nova
Em frente ao Palácio da Alvorada.

E só depois
Reconsidera: beija
Nos olhos os que ganham mal
Embala no colo
Os que têm sede de felicidade
E de justiça.

E promete incendiar o país.

 

Poema Obsceno

Façam a festa
cantem e dancem
que eu faço o poema duro
o poema-murro
sujo
como a miséria brasileira

Não se detenham:
façam a festa
Bethânia Martinho
Clementina
Estação Primeira de Mangueira Salgueiro
gente de Vila Isabel e Madureira
todos
façam
a nossa festa
enquanto eu soco este pilão
este surdo
poema
que não toca no rádio
que o povo não cantará
(mas que nasce dele)

Não se prestará a análises estruturalistas
Não entrará nas antologias oficiais
Obsceno
como o salário de um trabalhador aposentado
o poema
terá o destino dos que habitam o lado escuro do
país
– e espreitam,

Ferreira Gullar


a navalha na carne
pode cortar
pode doer pode sangrar
e ferir fundo
prefiro a dor  do prazer
do que o riso
sub imundo

Federika Lispector



anti/bíblica

não vou guardar os sábados
em nome de Jesus
e me deixar crucificada numa cruz
que simboliza dor
aos sábados eu pratico a Arte
de fazer Amor

Federika Lispetor

leia mais no blog

https://centrodeartefulinaima.blogspot.com/



jura secreta 39

quando tenso
o poema penso
fio suspenso no
Ar

quando teso
o poema preso
peixe surpreso no
Mar




Artur Gomes

leia mais no blog

https://braziliricapereira.blogspot.com/


 Toda Nudez Não Será Castigada


O face tem censurado e deletado postagens com a explicação de serem spam. na verdade não sei o que isso significa, quando sabemos que o verdadeiro motivo é provocado pelo "falso moralismo" que alastra com relação a arte erótica, seja ela em que linguagem se expressa ou o espaço onde está exposta. Apresentamos aqui o link de um blog com a poesia de Artur Gomes onde você poderá ler poesias que tem sido censurada e denunciada aqui no face. Que tenham todos uma boa leitura e uma bela viagem .

Toda Nudez Não Será Castigada


Artur Gumes



aldeia carioca
para Marko Andrade

ando entre a espada
o revólver e a navalha
o couro cobre a carne
como pano da mortalha
o grito preso na boca
e o relógio de músculos
move o sangue no asfalto
o beijo de cinzas
na quarta/feira antes do carnaval
subo os dois irmãos
o são conrado o vidigal
desce por um beco os farpados
deparo com o vinagre
os cacos de vidros quebrados
o brejo na curva
em frente os arcos da lapa
o samba que foi proibido
rasgaram a pedra do sal

Artur Gumes



poética 27

paixão é tudo
entre teu corpo e o poema
a faca desliza
amolada
entre a casca e a pele da fruta

quando sair para o banho
acenda a luz do abajour
aos pés da cama
e deixe que eu escreva nos lençóis
as palavras selvagens
que baudelaire nos ensinou

Artur Gomes

                      Sarau Gente de Palavra

Dia 26 novembro – 19h

*

Balbúrdia Poética 4

Dia 3 dezembro 19h

*

Patuscada – Livraria Bar & Café

Rua Luis Murat, 40 – São Paulo SP

Encontro de Poetas para celebrar a Vida

 

Terra

antes que alguém morra

escrevo prevendo a morte

arriscando a vida

antes que seja tarde

e que a língua da minha boca

não cubra mais tua ferida

 

entre/aberto

em teus ofícios

é que meu peito de poeta

sangra ao corte das navalhas

e minha veia mais aberta

é mais um rio que se espalha

amada de muitos sonhos

e pouco sexo

 

deposito a minha boca no teu cio

e uma semente fértil

nos teus seios como um rio

o que me dói é ter-te

devorada por estranhos olhos

e deter impulsos por fidelidade

 

ó terra incestuosa

de prazer e gestos

não me prendo ao laço

dos teus comandantes

só me enterro à fundo

nos teus vagabundos

com um prazer de fera

e um punhal de amante

 

minha terra

é de senzalas tantas

enterra em ti

milhões de outras esperanças

soterra em teus grilhões

a voz que tenta – avança

plantada em ti

como canavial que a foice corta

mas cravado em ti

me ponho a luta

mesmo sabendo – o vão

estreito em cada porta

 

Artur Gomes

O Poeta Enquanto Coisa

leia mais no blog

https://fulinaimacarnavalhagumes.blogspot.com/


segunda-feira, 7 de outubro de 2024

com os dentes cravados na memória

Com Os Dentes Cravados Na Memória

Mesmo com uma grande dor, provocada por um bico de papagaio que a décadas insiste em cantar na minha coluna, roubando-me as vezes a paciência, passei uma tarde de ontem super divertida no Auditório Miguel Ramalho em cia da equipe de Coordenação de Projetos de Audiovisual e Design Para Educação - Centro de Referência do IFF Campos Campus Centro.

Motivo do Encontro: um depoimento sobre os mais de 50 anos que Vivi no IFF desde os tempos de aluno no Ginásio Industrial na então ETC (Escola Técnica de Campos), de 1961 a 1964. Passando pelo período de 1968 a 1986 quando já servidor da ETFC(Escola Técnica Federal de Campos), trabalhei como Linotipista na Oficina de Artes Gráficas (Tipografia).

De 1975 a 1985 mesmo subvertendo a ordem natural vigente que direcionava a instituição, criei totalmente à revelia da direção na época, uma Oficina de Teatro, que se manteve subversiva até 1986 (pois era assim que os professores reacionários da época se referiam a atividade.

Nunca fui poeta de bons modos, bons costumes, e como os alunos da Oficina de Teatro, eram também alunos da ETFC, nos "anos de chumbo" onde o Diretor da instituição era escolhido pelo MEC, depois de algum curso na Escola Superior de Guerra, era normal que a minha atividade com Teatro dentro da Escola fosse tratada como Subversão.

Em 1986, acontece as primeiras "Eleições Diretas", nas Escolas Técnicas Federais e nas Universidades Federais, pós Ditadura. Na ETFC se elege Diretor o Professor de Matemática Luciano D´Angelo. Como desde 1980 o trabalho com a Oficina de Teatro havia ultrapassado os muros da cidade e ganhado as ruas de Campos, com o Auto do Boi-Pintadinho, Luciano então, me transfere da Tipografia para o Grupo de Atividades Culturais.

Em 1997 a ETFC já havia se transformado em CEFET, e com a nova LDB (Lei de Diretrizes e Bases), criada por Darcy Ribeiro, a Oficina de Teatro, como outras Oficinas de Arte que já existiam então passam a fazer parte da grade curricular para os alunos do Curso Técnico (nível médio). No período de 1997 a 2002 passo então a Coordenador da Oficina de Artes Cênicas, até a minha aposentadoria.

De 2011 a 2012 convidado pelo então Diretor do IFF Campos Campus Centro, Jefferson Manhães, volto a instituição para Dirigir Oficinas de Criação e Produção Cine Vídeo e crio o I Festival de Cinema Curta-IFF, realizado em 2012 no Auditório Cristina Bastos.

As 3 horas de bate papo e gravações foram poucas para narrar os períodos e os fatos em seus mínimos detalhes. Esperava que um dia, acompanhando e vivendo as transformações do IFF como acompanho, que esse depoimento viesse a acontecer, e esses 50 anos vividos ali dentro pretendo transformar no livro Com Os Dentes Cravados Na Memória, onde não só o que vivi dentro do IFF será contado, mas também muito da minha travessuras culturais por este país a fora.

Equipe da Coordenação de Projetos de Audiovisual e Design para Educação que trabalharam nas gravações: Larissa Vianna, Rodrigo Otal, Carlos Henrique Morelato e Lionel Mota.

 

Artur Gomes

Com Os Dentes Cravados na Memória

leia mais no blog  

https://arturkabrunco.blogspot.com/



prezepino é um severino serafino curitibano que entortou meus planos quando atravessou os trópicos  de capricórnio no pomar da cacomanga para furtar as jacas da realeza nas ancas de uma madre senhora freira/nte  portuguesa

Artur Fulinaíma

lei mais no blog

https://fulinaimargem.blogspot.com/


                     ontem tive um longo bate papo com Ronaldo Junior, presidente da ACL – Academia Campista de Letras, onde ele me passou o estatuto da Casa de Nelson Rebel e as orientações para minha posse dia 19 às 17h. A ACL comemorou neste 2024 seus 85 anos de existência em uma cidade onde a memória precisa  cada vez mais e com urgência ser. Resgatada

 

leia mais no blog

Artur Gomes –

O Homem Com A Flor Na Boca

https://arturgumes.blogspot.com/ 


uma cidade sem memória não é uma cidade

                           Federico Baudelaire

Campos precisa acordar para voltar a ser 

                                 Rúbia Querubim

tocar-te por dentro lentamente calmamente como quem morde a maçã na boca da serpente e uiva mastigando a carne como sobremesa

                                            Artur Kabrunco

o gosto da tua carne não conheço não me deste o endereço

                                              Federika Bezerra

transverso anjo avessso atravesso as artérias da cidade águas do paraíba emporcalhadas de esgotos

                                                Irina Serafina

como poesia devoro para matar a fome quando oro o prazer tem outro nome

                                                    Artur Gomes 

                          absinto impossível te sentir mais do que já sinto                 

Pastor de Andrade

cidade veraCidade nossas angústias penduradas nos varais

                                            Federika Lispector

 

viva a lira do delírio antropofágica paulistana metendo a língua desbragada nos bordéis de copacabana

                                            Lady Gumes

o delírio é a lira do poeta se o poeta não delira sua lira não concreta                                                

                                    Artur Fulinaíma

 

desde os tempos de moleque para descascar carne de manga faca facão canivete arma branca de pivete nos quintais da cacomanga

                                     EuGênio Mallarmè  

não tenho papas na língua  nem pastor me come as coxas eu sou do mar da tempestade beira mar é quem   lambe  as minhas ostras

                                            Gigi Mocidade 

Artur Kabrunco e suas metáforas vagabas me enclausuraram entre os corredores do presídio federal de brazilírica perdi a lírica nem sei o que estou fazendo por aqui -  enlouqueci

Macabea – A Outra 

Leia mais no blog

https://fulinaimacentrodearte.blogspot.com/


   

LITERATURA & COLETIVOS POÉTICOS

 POESIA E SARAUS, UM

  Cesar Augusto de Carvalho

 

A poesia é inútil, daí o paradoxo ser inevitável quando o tema é poesia. Se a poesia é inútil, por que falar dela?  A inutilidade da poesia é ideia recorrente, diria até unânime entre poetas, mas nem por isso eles deixam de surgir em número cada vez maior e os poemas florescerem no vasto campo da linguagem.

Se a poesia é inútil, então por que ela congrega pessoas em torno de saraus que aumentam em número e grau numa cidade como São Paulo? De onde vem essa força para reunir pessoas? O que as atrai: a poesia ou a necessidade do encontro?

O calor da presença humana nos fortalece, nos energiza, nos possibilita fazer novas amizades e renovar as antigas. Existem muitas maneiras de se criar estes elos socioculturais. Algumas exigem poucos recursos, referências culturais, outras, mais. Nesta segunda categoria, estão os saraus. Todavia, num sarau, o receptor, mesmo que tenha um baixo repertório simbólico, não deixa de experienciar, com os ouvidos abertos durante uma, duas horas, e se deliciar com poemas em diferentes vozes. Poesia é inútil?

 

A poesia é inútil

não cheira, nem fede

 soa

 

 No mundo mercantil em que vivemos, bastante segmentado, o mercado editorial poético é pequeno. Se o consumo de livros já é baixo, o de poesia é baixíssimo. Nem é necessário dado estatístico para comprovar isso. Basta observar os compradores na seção Poesia, das livrarias. Eles passam bom tempo folheando, lendo uma ou mais páginas e devolvem os livros às prateleiras. Na hora de comprar, compram os que nada têm a ver com poesia. Como disse Paulo Leminski num vídeo gravado em 1985:

“é muito mais lucrativo você abrir uma banquinha e vender banana do que vender poesia”.

 Poesia vende pouco. Nem por isso, o número de poetas e amantes da poesia deixou de crescer. Os saraus aumentaram em número e, facilitadas pela impressão sob demanda, novas pequenas editoras surgiram. 

 Em 2015, tínhamos, na Capital, mais de 60 saraus distribuídos pela cidade. E esse número cresceu até a chegada da COVID, quando, claro, os saraus foram suspensos. Durante o enclausuramento pandêmico, a comunicação virtual, além de permitir a continuidade de alguns saraus, criou novas formas para se falar de poesia.  Como um produto sem nenhum valor mercadológico tem esse poder de reunir pessoas, de congregá-las? De onde vem essa magia?

 (*) Não conheço poeta que desgoste de seu ofício. Escrever, expressar suas experiências é sempre motivo de amor e paixão

1 CARVALHO, Cesar Augusto de. Curto-circuito. São Paulo: Editora Patuá, 2019, pág. 50


 Para o poeta não importa o valor mercadológico, se o livro venderá ou não, importa é poetar aos quatro ventos. É no momento mágico da escrita, nem sempre alegre, muitas vezes dolorosa, que o poeta se revela. Na magia da linguagem, o eu lírico desnuda a condição humana por meio de uma experiência singular, transformada em poema. Isso embevece o receptor, pois é algo que lhe toca, indecifrável, misterioso e sedutor. Os símbolos poéticos estabelecem um diálogo mudo que se enraíza no corpo.

Não há como não concordar com a laureada poeta estadunidense, Ada Limón, quando escreveu:

“A poesia tem o poder de nos reconectar com nós mesmos e tem o poder de nos reconectar com a terra .”

Poderia dizer que foi essa inutilidade da poesia que me levou, não só a escrevê-la como, mais tarde, tornar-me produtor de saraus e eventos literários, tanto presenciais quanto virtuais. Em 2015, conheci Rubens Jardim, que foi participante do movimento poético Catequese Poética, criado por Lindolf Bell, em 1964. O lema era colocar a poesia em todos os lugares. Rubens o pratica até hoje, não só produzindo saraus como realizando pesquisas sobre poesia e publicando-as. Trabalho significativo é o levantamento das mulheres poetas desde o século XVIII até o século XXI.

Depois dessa pesquisa, o desconhecimento sobre o papel das mulheres na poesia ficou menor. Publicada em livro, são quase 400 poetas reunidas, o leitor é contemplado com suas biografias e alguns poemas .

No ano seguinte, convidou-me para participar de um novo sarau, que seria na rua. Topei a parada e criamos, junto com Claudio Laureatti, o Sarau da Paulista. Era um sarau mensal, 2 In:

https://youtu.be/zkl57-hC3ko?si=PUN9q2gEgghPHPRc 3

 JARDIM, Rubens. As Mulheres Poetas na Literatura Brasileira. Cajazeira, PB: Arribaçã, 2021.

 Realizado no último domingo de cada mês, com microfone aberto, na calçada da Avenida Paulista com a Rua Peixoto Gomide. Usamos um megafone nas três primeiras edições, mas ele era pouco eficiente para cobrir os ruídos da avenida fechada para veículos. A solução foi uma vaquinha feita pelos poetas que nos permitiu comprar um sistema de som que, acreditávamos, resolveria o problema. Não resolveu.

 O barulho atrapalhava muito. Por causa dele, num dos domingos, deslocamo-nos para o Parque Trianon, a poucas quadras de onde estávamos. Insistentes, tentamos manter o sarau na calçada, mas acabamos desistindo e nos abrigando no jardim da Casa das Rosas. Lá, com o apoio institucional, tínhamos um excelente sistema de som e uma tenda de lona, que nos protegia do sol e da chuva. Após a interrupção pandêmica, retornamos à Casa das Rosas, mas durou pouco. Cláudio Laureatti estava com dificuldades para dar continuidade ao trabalho. Eu e Rubens, por nossa vez, não tínhamos as habilidades artísticas do Claudio para conduzir um sarau bastante diferenciado, com inúmeras atividades de leituras interativas, que só ele seria capaz de fazer. Simultaneamente, mudanças internas ocorreram na instituição, e os respingos do poder levaram o Sarau da Paulista a deixar de existir. Por ser um sarau realizado na rua, pelo menos em sua primeira fase, pôde-se notar que a recepção dos poemas lidos é volátil. O transeunte, aquele que está de passagem, para, fica um tempo e continua sua andança. Alguns param, pedem uso do microfone e declamam poemas de autoria própria ou de outros autores. Como a característica da arte de rua é a impermanência, todos estão de passagem, o Sarau da Paulista também não consegue reter o receptor, o público, por laços que não sejam os efêmeros. Ao contrário de outros saraus dos quais participo ou participei, o Gente de Palavra Paulistano e o Artefatos Poéticos, por exemplo, por serem em espaços fechados, intensificam as relações que se estabelecem no espaço interno.

Artefatos Poéticos não é o melhor exemplo porque teve pouca duração. Apenas seis edições. Por sugestão de um amigo, criei-o em 2018 com a proposta de ser um sarau multimídia e temático. Iniciado sob o nome de Virada Poética, editamos duas revistas homônimas com poemas dos participantes. A partir da terceira edição mudamos para Artefatos Poéticos. A primeira razão dessa mudança foi que a natureza midiática do sarau pedia um nome mais adequado; a segunda é que éramos confundidos com um evento patrocinado pela Prefeitura da Cidade, a Virada Cultural, o que nos incomodava bastante.

Apesar da duração limitada, pude notar, pela convivência com os poetas paulistanos, que Artefatos Poéticos ampliou algumas redes de amizades e novos intercâmbios brotaram. Esse fenômeno o fez constatar com mais frequência no sarau Gente de Palavra Paulistano, do qual passei a ser co-curador, também a convite de Rubens Jardim, em 2018. O propósito de Gente de Palavra é reunir amigos para homenagear um poeta. Esta é sua principal característica: o participante do sarau, depois de uma hora e meia, duas horas lendo e ouvindo poemas do homenageado, sai de lá tendo conhecido o autor e parte de sua obra.

Para a escolha do poeta, levamos em conta sua produção e livros publicados. Gente de Palavra Paulistano não tem recursos financeiros. Então, a disponibilidade do poeta é vital. Se ele mora na capital, fica mais fácil em todos os sentidos – gasta menos em transporte e não há despesas com alimentação. Quando mora fora, depende de quando estará em São Paulo. O sarau acontece na última quarta-feira do mês, então, se coincidir a data da viagem e ele estiver disponível, será homenageado.

 Com todas as despesas pagas, por ele próprio. Nem por isso, deixamos de receber poetas vindos de diferentes estados do país. Mas você pode perguntar: o Gente de Palavra Paulistano, até pelo nome, não homenageia só paulistas e paulistanos? Não. O Paulistano do título é apenas para nos diferenciar do sarau gaúcho, do qual nascemos.

 Há dez anos, o poeta Renato de Mattos Motta criou o sarau Gente de Palavra, em Porto Alegre, RS. No final de 2015, David Kinski aceitou o convite de Renato e criou, em parceria com Rubens Jardim, o Gente de Palavra Paulistano. Com a saída de Kinski em 2018, fui convidado para ser parceiro do Rubens. Dada a qualidade dos poetas homenageados, ao completarmos oito anos de existência, Rubens e eu resolvemos publicar uma antologia reunindo todos eles e, como este sarau é sempre focado na poesia, propusemos o tema meta-poema, ainda que opcional. Essa antologia é um panorama significativo dos diferentes modos de se produzir poesia. Nelas, estão presentes poetas de todas as idades e poemas em suas diferentes formas verbais e visuais. O que a antologia não revela são os efeitos não visíveis, a interpelação viva, dinâmica e real entre pessoas a formar comunidades, redes poéticas.

 É por meio da poesia que os poetas se comunicam. Seus códigos simbólicos penetram igual raiz a se propagar lenta, suave, sem dor, até brotar. Efeitos lentos, mas duradouros.

 CARVALHO, Cesar Augusto de e JARDIM, Rubens. Antologia Gente de Palavra Paulistano. São Paulo: Editora Patuá, 2023.


corpoesia


no sarau
a poesia
muda


no corpo
a língua
muda

na língua

a vida

muda 



uma cidade sem memória não é uma cidade

                           Federico Baudelaire

Campos precisa acordar para voltar a ser 

                                 Rúbia Querubim

tocar-te por dentro lentamente calmamente como quem morde a maçã na boca da serpente e uiva mastigando a carne como sobremesa

                                      Artur Kabrunco

o gosto da tua carne não conheço não me deste o endereço

                                   Federika Bezerra

transverso anjo avessso atravesso as artérias da cidade águas do paraíba emporcalhadas de esgotos

                                        Irina Serafina

como poesia devoro para matar a fome quando oro o prazer tem outro nome

                                          Artur Gomes 

absinto impossível te sentir mais do que já sinto

                              Pastor de Andrade

cidade veraCidade nossas angústias penduradas nos varais

                               Federika Lispector

 

viva a lira do delírio antropofágica paulistana metendo a língua desbragada nos bordéis de copacabana

                                            Lady Gumes

o delírio é a lira do poeta se o poeta não delira sua lira não concreta                                                

                                  Artur Fulinaíma

 

desde os tempos de moleque para descascar carne de manga faca facão canivete arma branca de pivete nos quintais da cacomanga

                            EuGênio Mallarmè  

não tenho papas na língua  nem pastor me come as coxas eu sou do mar da tempestade beira mar é quem   lambe  as minhas ostras

                                      Gigi Mocidade 

*

In Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim

Livro inédito de Artur Gomes – lançamento previsto para 2025

leia mais no blog

https://fulinaimacentrodearte.blogspot.com/


Artur Gomes -  Poesia Afro Tupiniquim

Dia 4  novembro 9:30h

performance com poesia dos  livros Suor & Cio 1985 e O Homem Com A Flor Na Boca 2023 –

Ciep 147 – José do Patrocínio – Campos dos Goytacazes-RJ

 Artur Gomes é poeta ator produtor cultural - atua na Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima como Coordenador de Cultura e recentemente foi eleito para a Academia Campista de Letras para ocupar a cadeira 12 antes ocupada pelo professor Hélio de Freitas Coêlho

 

leia mais no blog

https://arturgumes.blogspot.com/





Oficina de Teatro Multilinguagens

Em 2017 dirigi no Sinasefe IF Fluminense uma Oficina de Teatro Multilinaguagens, atividade que poderá voltar a ser realizada lá em breve, como ação de  um projeto de fomento a leitura.

O Sinasefe IF Fluminense está situado na Rua Álvaro Tâmega, 135 – Campos dos Goytacazes-RJ

leia mais no blog

https://arturgumes.blogspot.com/



 Sarau Campos VeraCidade

                                fomento a leitura 

com roda de conversa – sobre um tema selecionado

Música e Poesia Falada

A partir de novembro 2024 na ACL – Academia Campista de Letras

Praça Nilo Peçanha, S/N – Jardim São Benedito


Fernando Andrade Entrevista Artur Gomes

 

Fernando Andrade - A língua em seu livro de poesia novo, é lúdica, metafórica, difícil não imobilizá-la na página, parece que sai andando. Queria que você falasse de toda essa cinética, brincante.

 

Artur Gomes – a algum tempo percebi que poesia pode ser corpos em movimento palavras voando ao sabor do vento não apenas verso mas também muito prosa com a possibilidade de signi ficar outros signi ficados acho que percebi isso lá pelos idos dos anos de 1983 quando criei o projeto Mostra Visual de Poesia Brasileira fazendo exposições  com todas as linguagens poéticas contemporâneas pós semana de arte de 1922.

 

Fernando Andrade - A cultura nossa você gosta de usá-la até criar efeito paródico sobre ela. Como você trabalha poeticamente, a cultura. Fale  disso.

 

Artur Gomes - sim além da poesia trabalho com artes visuais música cinema teatro estando e estando em contato com essas outras linguagens tive que ir aos poucos mergulhando nesse caldeirão cultural que é o brasil e essa efervecência  de uma certa forma é o que dinamiza a minha escrita buscando nela o cenário de que por muitas vezes aparece de forma bem explícita nas minhas narrativas em outras metaforicamente e claro tendo uma visão crítica sobre o que se passa não poderia deixar de satirizar ironizar sarcasticamente até de forma impiedosa as formas como que se sobrevive nesse país do futuro

 

Fernando Andrade - Você brinca de forma ágil com o modernismo brasileiro. A poesia tem essa possibilidade, transgressora de aglutinar/deglutir os movimentos.

 

Artur Gomes – em 1993 o projeto Mostra Visual de Poesia Brasileira completou 10 anos o grupo Livre-Espaço de Poesia de Santo André com todos os seus integrantes esteve presente em todas as 9 edições realizadas até então e também estava completando 10 anos de existência. uma das poetas integrantes de grupo: Dalila Teles Veras que em Santo André dirige o centro cultural e livraria Alpharrabio me convidou para fazer uma performance na  comemoração dos seus primeiro aniversário. dessa minha ida a Santo André nasceu a Mostra Visual de Poesia Brasileira – Mário de Andrade 100 Anos que foi executado pelo Sesc-SP, na unidade de São Caetano, com atividades também no Alpharrabio em Santo André, no Colégio Impacto e no entreposto cultural Beco das Garrafas, amos também em Santo André. Depois desse projeto a pedido do saudoso Danilo Miranda, criei Os Retalhos Imortais do SerAfim – Oswald de Andrade Nada Sabia de Mim, executado pelo Sesc em 1995 n a unidade Consolação. para conceber esses dois projeto mergulhei na vida e obra dos dois ícones da pauliceia desvairada e da cultura brasileira e daí fui me entranhando cada vez mais nessa diversidade cultural pós 22.

 

Fernando Andrade - O gênero não é só o poema é também o masculino/feminino, a mão direita/a mão esquerda, a fome a evacuação. Esse dualismo vi muito no seu livro.

 

Artur Gomes – gosto de brincar ironizar todas essas questões de gêneros e daí foram surgindo os personagens Lady Gumes, Federika Bezerra, Federico Baudelaire, Gigi Mocidade, EuGênio Mallarmè, Pastor de Andrade, Rúbia Querubim, Irina Serafina, Artur Fulinaíma e Artur Kabrunco que estarão presentes no próximo livro: Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim preparando a santa ceia para um banquete antropofágico. esses personagens são todos andróginos macho/fêmea masculino/feminino e desfilam na Mocidade Independente de Padre Olivácio – A Escola d e Samba Oculta NO Inconsciente Coletivo e frequentam a Igreja Universal do Reino de Zeus. a relação entre eles é amorosa com a  fome dos desejos de amor e ódio com aranhas com cada um tecendo a sua rede de intrigas.

 

leia mais no blog

O Homem Com A Flor Na Boca

https://arturgumes.blogspot.com/

Ainda Estamos Aqui

poema a(r)mado   todo os dias capino a esperança escavando outras palavras no chão desse quintal   e quando escrevo com enxada              ...