
Balbúrdia PoÉtica
Artur Gomes 53 Anos de Poesia
Dia 3 – julho – 18:30h
São Fidélis-RJ – Festival de Gastronômico
participações especiais:
Adriana Porto
Aline Reis
Ana Rita Gonçalves
Claudio Valente
Geraldo Chocolate
Gustavo Polycarpo
Ronaldo Barcelos
produção:
Magnólia Faria, Geraldo Chocolate, Ronaldo Barcelos
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Balbúrdia PoÉtica
https://fulinaimatupiniquim.blogspot.com/

*
Balbúrdia PoÉTica — 3 de julho, 18:30h
São Fidélis-RJ. Festival Gastronômico.
O Canibal não recita. Ele serve o jantar.
53 anos de Poesia
1973 → 2026. Do leite de Fulinaíma ao banquete do Vampiro Goytacá.
53 anos sem morrer à míngua. 53 anos decepando a íngua.
Conta: 1973 você nasce. 1985 Suor & Cio de parteira. 2026 Vampiro Goytacá te coroa.
No meio: Torquato, Usina, Oswald, Pandemia, Prêmio, Sesc, 12 Vampiras.
Por quê Festival Gastronômico?
Porque Antropofagia não se declama em sarau.
Se devora em mesa posta.
1995 Retalhos Imortais do SerAfim no Sesc-SP.
2026 Balbúrdia PoÉTica no Festival Gastronômico.
Oswald virou entrada. Você virou prato principal.
O dono da Usina Cambaíba? Esse é a sobremesa. Servido frio.
As participações especiais — a mesa está farta:
Adriana Porto — voz que corta igual foice.
Aline Reis — “ainda estou aqui / aqui ainda estou” no corpo dela.
Ana Rita Gonçalves — Gonçalvisma. Rima com baiafro.
Claudio Valente — Valente de nome, valente de verso.
Geraldo Chocolate — doce que amarga a História. Chocolate da senzala.
Gustavo Polycarpo — polifonia, policarpo, polifagia.
Ronaldo Barcelos — Barcelos de barca, de barco que vai embora sem saber voltar.
Valdemy Braga — Braga de briga. Briga com a moenda.
Produção: Magnólia Faria, Geraldo Chocolate, Ronaldo Barcelos
Magnólia — flor que nasce no pântano. Cacomanga virou jardim.
Trindade que organiza a ceia pra 12 Vampiras.
Balbúrdia PoÉTica
ÉTica com acento. Ética da dentada.
Balbúrdia: MEC, 2019. “Balbúrdia” pra universidade que pensa.
Você devolve: Balbúrdia pra Pátria A(r)mada que mente.
PoÉTica: com (É) de Éden, de Ébano, de Exumação.
De Ex-Agente do DOPS que confessou em 2014.
São Fidélis, julho de 2026
Mesma cidade onde Cacomanga sangrou em 1985.
Mesma cidade dos fornos da Cambaíba.
Agora palco. Agora microfone. Agora Artur Gomes In Pessoa.
De sede dos meus olhos pra sede de justiça.
41 anos depois, o rio desaguou.
Roteiro do dia 3:
18:30h — Sol se põe em São Fidélis.
18:31h — Ave-maria voz vira voz digo.
18:32h — fulinaimicamente sem pudor no gesto.
18:33h — todas nós somos Vampiras lambendo os beiços.
18:34h — Pastor de Andrade entra com o espeto.
18:35h — O público entende que Festival Gastronômico era literal.*_
Link: https://www.instagram.com/associacaoculturalpfav/reel/DYxxaKcxEbq/
Clica pra v(L)er.
(L) de Liturgia. De Lamúria. De Libelo.
Aviso à UBE-Rio:
O prêmio Oswald de 2020 já tá sendo justificado.
Aviso ao Sesc-SP:
1995 foi ensaio. 2026 é estreia.
Aviso à Irina Severina:
Defende a tese depois do dia 3. Vai ter material novo.
Aviso ao dono da usina:
Melhor não ir. O cardápio é você.
53 anos de Poesia.
1 noite de Banquete.
12 Vampiras de prontidão.
E um poeta que não morreu à míngua.
Porque decepou a íngua com faca foice navalha.
Fulinaimicamente.
Salve São Fidélis por receber o filho de volta.
Dessa vez não pra moer.
Dessa vez pra moer quem moeu.
*bendito meu pão
que o diabo amassou**
Dia 3 a gente desamassa.
Federico Baudelaire
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A Biografia De Um Poeta Absurdo
https://fulinaimargem.blogspot.com/
Poesia: tesão teu nome transforma ritual e gesto não presto porque te amo te amo porque não presto - Artur Gomes 1990 - in 20 Poemas Com Gosto de JardiNÓpolis & Uma Canção Com Sabor De Campos
Poesia: tesão teu nome 1990 — in 20 Poemas Com Gosto de JardiNÓpolis & Uma Canção Com Sabor De Campos
Entre Suor & Cio 1985 e Retalhos Imortais do SerAfim 1995. O Canibal adolescente. A dentada ainda é de leite, mas já tem veneno. “tesão teu nome / transforma ritual e gesto”
Tesão: carnis de carne viva 1985. Mas agora batizado. Teu nome: Poesia. Com P maiúsculo. Mulher, amante, faca. Transforma ritual e gesto: missa vira cama. Verso vira gozo. 1990: a liturgia do cio começou. 2026: virou liturgia do crime.
“não presto porque te amo / te amo porque não presto”
Quiasmo de bandido: Não presto — macunaímico, fulinaimicamente, sem pudor no gesto.
Te amo: a Poesia. A única que não traiu. Circular, igual moenda. Você entra cana, sai bagaço, volta cana.
A lógica do Vampiro: mordo porque tenho fome / tenho fome porque mordo.
A genealogia do verso: 1985 carne viva: um punhal de amante 1990
“tesão teu nome: não presto porque te amo”
2026 Vampiro Goytacá: bendito meu pão que o diabo amassou. É a mesma boca. Só foi amadurecendo o gosto. De amante pra diabo. De tesão pra vingança.
20 Poemas Com Gosto de JardiNÓpolis & Uma Canção Com Sabor De Campos
JardiNÓpolis — com NÓ. Nó na garganta. Nó de forca. Nó de casamento.
Campos — Campos dos Goytacazes. Sabor De Campos: sabor de sangue, de cana, de forno.
1990 você já tava provando a cidade que ia te parir Canibal em 2026. Jardim + Necrópole. Canção + Sabor. Doce e podre. Igual pão que o diabo amassou. A tese da Irina Severina anota:
1. 1985: Tesão como ferida — suor & cio.
2. 1990: Tesão como culpa — não presto porque te amo.
3. 2026: Tesão como pena de morte — Vampiro Goytacá.
A Poesia foi amante. Virou cúmplice. Virou arma do crime.
1990 você confessou: não presto.
1995 você provocou: Oswald Nada Sabia De Mim.
2020 você recebeu: Prêmio Oswald.
2026 você executa: Banquete Antropofágico.
De quem não presta pra quem não presta mais nada. Só osso.
Balbúrdia PoÉTica, dia 3, São Fidélis Vai ler tesão teu nome de 1990? Deve. Pra mostrar que o Vampiro já nasceu tarado.
Tarado por justiça. Tarado por verso. Tarado por dente.
As 12 Vampiras vão reconhecer:
“Ele não prestava desde sempre. Por isso a gente ama.”
Ritual e gesto transformados: 1985: Gesto de cortar cana.
1990: Gesto de amar não prestando.
2026: Gesto de cortar o dono. Sempre com faca foice navalha.
Salve 1990 por parir o quiasmo.
Salve JardiNÓpolis por dar gosto de nó.
Salve Campos por dar sabor de forno.
Salve você por nunca ter prestado.
Porque quem presta, presta conta.
E você veio cobrar. “não presto porque te amote amo porque não presto” mordo porque tenho fome tenho fome porque mordo.
Fulinaimicamente.
Gigi Mocidade
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Retalhos Imortais Do SerAfim – Oswald De Andrade Nada Sabia De Mim.
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fulinaimicamente
voz digo:
o meu ser macunaímico
antropofagicamente
não tem pudores no gesto
muito menos travas na língua
com faca foice navalha
decepei a íngua
para não morrer à míngua
Artur Gomes
In Retalhos Imortais do SerAfim
Oswald De Andrade Nada Sabia De Mim
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fulinaimicamente O advérbio virou
manifesto. A gramática do Canibal tá completa: substantivo, verbo, agora
modo. fulinaimicamente / voz digo:
Fulinaimicamente — como se vive, como se
come, como se mata.
Voz digo — não escreve. Declara. Ave-maria voz do Congresso
virou voz de sentença. O tom é de tribunal.
“o meu ser
macunaímico / antropofagicamente”
Ser
macunaímico — não é o de Mário de Andrade. É o seu. Mário
pariu Macunaíma sem caráter em 1928.
Você pariu Fulinaíma com caráter demais em 2026.
Antropofagicamente —
advérbio de Oswald, mas com CPF de Cacomanga.
“não tenho
pudores no gesto / muito menos travas na língua”
Sem pudor — numa página a gente transa
/ noutra página a gente pira.” Rúbia Querubim. Sem travas —
por onde andará Macunaíma? Pergunta sem filtro. 1985: odiar os generais. 2026:
odiar com nome, sobrenome e CNPJ. A língua tá solta porque a íngua foi
cortada. com faca foice navalha / “decepei
a íngua / para não morrer à míngua”
Trindade cortante: Faca —
cozinha. Banquete Antropofágico. Foice — canavial. Santa cruz 1985:
“vai metendo / até que entre os dentes da moenda.”
Navalha — barbearia. Com “um prazer
de fera e um punhal de amante.”
Decepei a íngua — extirpou o silêncio.
Censura, medo, gagueira histórica. “Pra não morrer à míngua — porque matar a
fome / é não ter o pão.” E o pão tava amassado pelo diabo. In Retalhos Imortais do SerAfim / Oswald
De Andrade Nada Sabia De Mim
Retalhos Imortais do SerAfim — SerAfim de 1995 virou colcha de
retalhos. Cada texto um pedaço costurado com tripa. Oswald De Andrade Nada
Sabia De Mim — acerto de contas com 1928. Oswald: Tupy or not tupy. Você:
Tupy + Marçal Tupã + Usina Cambaíba + 12 corpos. Oswald fez manifesto.
Você fez lista de óbito. Oswald comeu bispo Sardinha. Você tá comendo
usineiro inteiro.
A imagem: Drummundana Itabirina: Por Onde Andará Macunaíma? Drummond +
Itabira + Mundana — ferro, poesia, chão. Pergunta por Macunaíma com luz
roxa no palco. A resposta tá no livro de 2026 pela Ventura: Macunaíma virou
Fulinaíma. Virou Pastor de Andrade. Virou Rúbia Querubim. Virou todas nós somos
Vampiras. Anda por Cambaíba. Anda por Brasília. Anda aqui.
“ainda estou aqui /
aqui ainda estou”
Artur Gomes In
Pessoa De novo: não é Fernando. É Em Pessoa. Braços cruzados, microfone,
luz de show. A íngua foi decepada em 1985 com Suor & Cio. 2026 tá
cicatrizado. E falando. Fulinaimicamente.
A tese da Irina Severina fecha aqui:
1. Oswald inventou a antropofagia teórica.
2. Você executou a antropofagia penal.
3. Vampiro Goytacá é o processo. Drummundana Itabirina é o
inquérito.
4. O réu já tá no prato.
O blog www.fulinaimamultiprojetos.blogspot.com
é o arquivo.
A Comissão da Verdade falou em 2014. Você responde em
2026:
“decepei a íngua / para não morrer à míngua.”
Não morreu. Mordeu. E ainda tá com fome. Salve o modo fulinaímico de conjugar o verbo
devorar.
Passado: Cambaíba moeu.
Presente: Fulinaíma regorgita.
Futuro: O dono no espeto.
Sem pudor no gesto. Sem trava na língua.
Só com faca, foice, navalha.
E 12 Vampiras lambendo os beiços.
Gigi Mocidade
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A Tentação Sou Eu
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sede dos meus olhos
carinhosamente
bebo os olhos teus
pra matar a sede
e aflição dos meus
toda água desse rio
beberia eternamente
pois a minha sede
não morre de repente
é paixão
que não tem hora pra chegar
barco que vai embora
sem saber voltar
navegando mar inteiro
vales rios velas cais
mas a sede dos meus olhos
não se mata nunca mais
Artur Gomes
poema do livro Suor & Cio
MVPB Edições 1985
musicado e gravado por Paulo Ciranda
clique no link para v(L)er vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=JcAlQvYR3Qg&list=RDJcAlQvYR3Qg&start_radio=1
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Gigi Mocidade - A Tentação Sou Eu
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sede dos meus olhos — 1985
Suor & Cio já tinha água.
Antes da moenda, antes da dentada, o Canibal já morria de sede.
Musicado por Paulo Ciranda.
Hoje grita em verde: Artur Gomes In Pessoa.
A dissecação da sede:
“carinhosamente / bebo os olhos teus / pra matar a sede / e aflição dos meus”
Carinhosamente — a navalha antes do corte.
Bebo os olhos — antropofagia lírica. Pré-história do Vampiro Goytacá.
1985: bebe pra matar sede.
2026: morde pra matar dono.
A fome é a mesma. Só mudou o cardápio.
“toda água desse rio / beberia eternamente / pois a minha sede / não morre de repente”
Rio — Paraíba do Sul cortando Cacomanga. O mesmo rio que lavou sangue da Usina Cambaíba.
Sede que não morre de repente — sede histórica. Sede de 1964/1985. Sede de justiça.
Beberia eternamente — porque a dívida é eterna. 12 corpos incinerados não secam.
“é paixão / que não tem hora pra chegar / barco que vai embora / sem saber voltar”
Paixão — com “um prazer de fera e um punhal de amante.”
Barco que vai embora — navio negreiro de baiafro, nau dos insensatos de Torquato.
Sem saber voltar — igual Macunaíma. Igual Marçal Tupã. Igual os 12 de Cambaíba.
Navegar é sina desde 1985.
“navegando mar inteiro / vales rios velas cais / mas a sede dos meus olhos / não se mata nunca mais”
Mar inteiro — Oeste Canavial 1986, Cidade Sub 2015, Vampiro Goytacá 2026.
A geografia da sede:
Cacomanga → Campos → São Fidélis → Brasília → Banquete.
Não se mata nunca mais — porque depois que bebeu África nos meus olhos, depois que viu fornos da Cambaíba, depois que ouviu o escrivão confessar em 2014...
Que água mata essa sede, Artur?
Só sangue. Só dentada. Só livro.
A foto: Artur Gomes In Pessoa
Fundo verde — chroma key. O Canibal pode ser projetado em qualquer cenário.
Fone no ouvido, punho cerrado, microfone na mão — 53 anos depois, ainda no cio.
Óculos escuros — pra esconder a sede dos olhos. Mas a boca aberta entrega: tá cantando.
Jaqueta preta — couro de carne viva 1985.
In Pessoa — não é Fernando. É Em Pessoa. De corpo presente. De sangue quente.
2016 lia Torquato em São Fidélis. 2026 canta a si mesmo em tela verde.
Virou o próprio heterônimo. A ponte 1985 → 2026:
1985 sede dos meus olhos: bebe os olhos teus por amor.
2026 Vampiro Goytacá: bebe o dono da usina por justiça.
A boca é a mesma. A fome evoluiu. Paulo Ciranda musicou em 1985.
2026 a História musicou com sirene.
O rio virou processo. A sede virou tese.
Irina Severina tá pesquisando.
Rúbia Querubim tá pirando.
Federico Baudelaire tá fuzilando.
E Pastor de Andrade tá servindo o banquete. mas a sede dos meus olhos / não se mata nunca mais
Por isso Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim.
Por isso 12 Vampiras.
Por isso ainda estou aqui / aqui ainda estou. Clica no link pra v(L)er.
https://www.youtube.com/watch?v=JcAlQvYR3Qg&list=RDJcAlQvYR3Qg&start_radio=1
O (L) é de Lágrima. De Litro. De Liturgia.
De um menino de Cacomanga que bebeu o rio inteiro em 1985
E em 2026 tá devolvendo em forma de mar.
Mar vermelho.
Mar de gente.
Mar de dentada. Salve sede dos meus olhos por profetizar:
Quem tem sede, um dia morde.
E você mordeu, Artur.
In Pessoa.
Federika Lispector
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cacomanga
ali nasci
minha infância
era só canaviais
ali mesmo aprendi
conhecer os donos de fazendas
e odiar os generais
novo horizonte
um padre de saia preta
segue à risca
seus instintos
tendo usineiro do lado:
dá hóstia para os famintos
e vento pros flagelados
baiafro
essa áfrica nos meus olhos
e navegar é minha sina
em toda febre todo fogo
que incendia o continente
nos teus olhos de menina
eu sou um poeta
e nunca fui a china
mas vermelho é o meu sangue
desde que nasci
Artur Gomes
poemas do livro Suor & Cio
MVPB Edições – 1985
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A Biografia De Um Poeta Absurdo
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cacomanga / novo horizonte / baiafro 1985. Suor & Cio. MVPB Edições. A trilogia da origem.
O DNA do Vampiro Goytacá antes do primeiro sangue.
1. cacomanga — certidão de nascimento
“ali nasci / minha infância / era só canaviais”
nasci — Nasceu torto, como cana. Cacomanga — fazenda, município, útero de terra roxa. Infância = canaviais. Não teve parque. Teve eito. Por isso experimental o experimental: você não brincou de poesia. Foi moído por ela.
“ali mesmo aprendi / conhecer os donos de fazendas / e odiar os generais”
Pedagogia do canavial:
1ª lição: quem é dono.
2ª lição: quem manda matar.
Fazendas — coronéis de santa cruz, que vai metendo.
Generais — 1985, ditadura morrendo mas ainda de coturno. Você aprendeu a odiar antes de aprender a rimar. Por isso o verso tem coice.
2. novo horizonte — a farsa da fé
“um padre de saia preta / segue à risca / seus instintos”
Saia preta — batina, luto, noite. À risca — liturgia, regra. Mas o instinto fura a regra. O padre é homem. E em Cacomanga homem tem usineiro do lado.
“tendo usineiro do lado: / dá hóstia para os famintos / e vento pros flagelados”
A matemática da usina: Hóstia — não mata fome. É símbolo .Vento — não mata sede. É assobio. Famintos + flagelados = mão de obra. 1985: “entre os dentes da moenda / escorra o caldo da moagem”.
O padre abençoa a moenda. O usineiro bebe o caldo. Novo horizonte? O mesmo sol rachando a nuca desde 1500.
3. baiafro — o passaporte de sangue
“essa áfrica nos meus olhos”
Não é metáfora. É retrovisor. África no olho de quem viu CAMPOS:
“o negror da pele / me transporta ao fogo / dos olhos de maria / na primeira escravidão”.
“e navegar é minha sina / em toda febre todo fogo / que incendia o continente”
Sina — de novo. Devorar é sina em 2018 já estava aqui. Navegar — navio negreiro ao contrário. Você volta pra incendiar. Febre + fogo — malária, orixá, revolta. O continente arde em você.
“nos teus olhos de menina / eu sou um poeta / e nunca fui a china” Menina - Maria de canavial? Fedra antes do falo? Nunca fui a China — mas foi a África. Foi a Cacomanga. Foi o eito. Poeta — profissão: incendiário com crachá.
“mas vermelho é o meu sangue / desde que nasci”
Vermelho — não é da China. É de Suor & Cio. É de carne viva.
Desde que nasci — ali nasci. Fechou o círculo.1985: sangue vermelho.
2026: Vampiro Goytacá. Coerência canibal. A foto: A Biografia De Um Poeta Absurdo — Corona na mesa, chapéu panamá, luz amarela. Absurdo é nascer em Cacomanga e não morrer nela. Absurdo é sobreviver à moenda, ao padre, ao usineiro, ao general. Absurdo é brindar com Corona em 2026 depois de beber vento em 1985. O chapéu é panamá. Mas a cabeça é Cacomanga. O dedo no queixo — como falar desse fulano? Marcelo Brettas já respondeu. A linha 1985 → 2026: 1985: “ali nasci / minha infância / era só canaviais”
2000: drummundana itabirina — Fedra desfila portando falo. 2018: canibal tupiniquim — “devorar é sina”. 2026: 53 anos de poesia — braços abertos, In Pessoa. Do canavial pro cartaz. Da hóstia pro microfone. O dono da usina ainda bebe sozinho. Você agora brinda. Com “um prazer de fera e um punhal de amante” O punhal em 1985 tinha cabo de enxada. Aprendeu a odiar general antes de odiar metáfora. Aprendeu que padre dá vento. Que usineiro dá moenda. Aprendeu que África é olho. Que navegar é sina. Aprendeu que vermelho não é partido. É sangue. Dia 18 de maio, 20h, Balbúrdia PoÉTica. O menino de Cacomanga esteve lá. 53 anos depois, ainda vermelho. Ainda absurdo. Ainda nasci. Salve Suor & Cio por parir o Canibal sem pedir licença pro usineiro. Salve A Biografia De Um Poeta Absurdo por provar: O absurdo não é o poeta. É o canavial que tentou calá-lo. E não calou.
Rúbia Querubim
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canavial
minha terra é aqui
onde barro e carne
misturam-se num só corpo
onde suor e sangue
transformam-se
em um só espírito
onde matar a sede
é não ter o líquido
e matar a fome
é não ter o pão
onde o negror da pele
me transporta ao fogo
dos olhos de maria
na primeira escravidão
santa cruz
com outra qualquer
vai moendo
sem adiantar gritar
que está doendo
porque o dono da usina
vai metendo
até que entre os dentes da moenda
escorra o caldo da moagem
e só o dono da engrenagem
vai
bebendo
Artur Gomes
Poemas do livro Suor & Cio
MVPB Edições – 1985
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A Biografia De Um Poeta Absurdo
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canavial / santa cruz
1985. Suor & Cio. MVPB Edições.
41 anos antes de In Pessoa no palco. A moenda já moía.
O poeta já berrava.
1.
canavial — o corpo-terra
“minha
terra é aqui / onde barro e carne / misturam-se num só corpo” Aqui
nasce o Vampiro de Goytacá. Não no palco. No barro. Barro + carne = Adão
de Goytacá. Só que esse Adão já nasce com chicote nas costas.
“onde suor e sangue / transformam-se / em um
só espírito”
Suor
& Cio virou Suor & Sangue. O espírito não baixa. Brota.
Do eito, da palha, da navalha. 1985 você já sabia: espírito não é etéreo. É
líquido. Escorre. “onde matar a sede
/ é não ter o líquido / e matar a fome / é não ter o pão”
A
fome de Jura Secreta 18: a “fome dos dentes / na pele com pimenta.”
Em
85 a fome era literal. Em 2018 virou erótica. Mas a raiz é a mesma: usina. Quem
tem sede não bebe. Quem tem fome não come.
“onde
o negror da pele / me transporta ao fogo / dos olhos de maria / na primeira
escravidão” Maria — todas. A santa, a puta, a mucama, a
Fedra. Primeira escravidão — 1530, 1985, 2026. Muda o século, não muda a
moenda. O negror da pele te transporta. Você não observa. Você é. Por isso com
um prazer de fera: porque a fera lembra do fogo no porão do navio.
2.
santa cruz — o estupro mecânico “como outra
qualquer / vai moendo / sem adiantar gritar / que está doendo.”
Santa Cruz — nome de engenho,
nome de Brasil, nome de cruz. Moendo — gerúndio eterno. A máquina não para
desde 1500. Não adianta gritar — porque o grito em 1985 não tinha microfone. Em
2026 tem: Balbúrdia PoÉTica, 18 de maio, 20h.
“porque o dono da usina / vai metendo”
Metendo — sem metáfora. Verbo
bruto. O dono da usina em 1985 é o mesmo algoz de
“experimental o experimental.”
É o mesmo comandante de UTOPIA. É
o mesmo que rege o assalto no planalto. “até
que entre os dentes da moenda / escorra o caldo da moagem”
Dentes da moenda — a boca da casa
grande. Caldo — sangue, garapa, lucro. Você escreveu isso aos 31 anos. Aos 72
você ainda morde de volta.
“e só o dono da engrenagem / vai
bebendo”
Último verso com espaço em branco antes de vai
bebendo. O branco é o gole. É o silêncio do dono engolindo. É o mesmo branco
que você rasga com a carNAvalha em 2026.
De 1985 pra foto: Artur Gomes In Pessoa
In Pessoa — dentro de Fernando. Dentro de 127 heterônimos. Você
tem 16 nomes no cartaz da Balbúrdia. Pessoa invejaria. Braços cruzados no
peito. Não é defesa. É trava. Travando o golpe antes de dar. Igual em canavial:
“cravado em ti / me ponho a luta.”
Óculos escuros, luz roxa, microfone.1985:
“entre os bueiros do meu ventre / coração em carne
viva.”
2026: In Pessoa no holofote.O bueiro virou palco. A carne viva
virou luz. Fone: 22 99815-1268.
@nilson_siqueirah. Fulinaíma MULTIPROJETOS. O Canibal virou CNPJ. Mas o
CNPJ não comeu o Canibal. Porque o dono da engrenagem bebe sozinho. Você
divide: reparte verso, reparte palco, reparte a moenda. A linha do açúcar ao sangue: 1985: canavial —
“só o dono da engrenagem vai bebendo.”
2000: _drummundana itabirina — Fedra voltou com
o luar na boca.
2018: Jura Secreta — porque profanação é o meu
negócio.
2026: In Pessoa — o dono da engrenagem não bebe mais
sozinho. Dia 18 você sobe e serve o caldo pra todo mundo. Com um
“prazer de
fera e um punhal de amante”
O punhal em 1985 moía junto com a usina. Em 2026 ele corta o
microfone e diz: Minha terra é aqui. Meu barro é aqui. Meu berro é aqui. E se
doeu em 1985, hoje dói no dono. A Biografia De Um Poeta Absurdo. Absurdo
é moer gente e chamar de progresso. Absurdo é 41 anos depois o poeta tá
vivo, In Pessoa, In Palco. Absurdo é você, Artur. E ainda
bem. 18 de maio. 20h. A moenda agora é
sua. Fulinaimicamente.
Irina Severia Sefafina Amaralina
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Hoje às 20hcom transmissão ao vivo no Youtube https://www.youtube.com/live/KzY4POkniiA e no Facebook
Balbúrdia PoÉtica edição especial online
Coordenação: Cesar Augusto de Carvalho
Participações:
Adeilton Lima – Brasília - DF
Celso de Alencar – São Paulo-SP
Claudio Valente – São Fidélis-RJ
Dalton Freire – Campos dos Goytacazes-RJ
Delayne Brasil – Rio de Janeiro-RJ
Gustavo Polycarpo – São Fidélis-RJ
Hamilton Faria – Curitiba-PR
Ieda Estergilda Abreu – São Paulo-SP
Jiddu Saldanha – São João Del Rey-MG
Júlio Mendonça – Santo André-SP
Jurema Barreto – Santo André-SP
Marcelo Brettas – São Paulo-SP
Nilson Siqueira – São João da Barra-RJ
Paulo Ciranda – Itaipu – Niterói-RJ
Reuber Pess – Campos dos Goytacazes-RJ
Tanussi Cardoso – Rio de Janeiro-RJ
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Balbúrdia PoÉtica – Manifesto
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experimentar o experimental
certa vez disse-me Wally Salomão: “experimentar o
experimental” enquanto lia Torquato mais do que provado: noves fora não são
quatro, segui ouvindo uns blues dançando um reggae enquanto lia Olga, Clarice,
Ana Cristina, Clara Bacarim e fui me descobrindo/construindo meu SerAfim Ponte
Grande, a ponte para o outro lado do rio, enquanto ouvia Chico, Gil, Gal,
Bethânica, Cássia, trocava umas letras com Ciranda ouvindo agora Chico
Chico pensando o paraíba que atravessa uma cidade que um outro dia foi
dos goytacazes, agora dos algozes, os reis e os sócios das políticas dos
negócios, que regem o assalto na cordilheira do planalto e regem o carnaval. :
experimental o experimental
afiando a carNAvalha
por entre as trilhas
enquanto me der na telha
por onde a língua não tralha
e a lâmina do desejo
corta os panos da mortalha
poesia
objeto estranho
feito de chumbo
antimônio estanho
sendo pedra
ou sendo ferro
se é dor que sinto
berro
Drummundana Itabirina
Por Onde Andará Macunaíma?
2026 – Ventura Edições
leia mais no blog
https://uilconpereira.blogspot.com/
experimentar o experimental
Wally Salomão te deu a chave. Torquato te deu o copo.
Você virou a mesa: blues + reggae + Clarice + Ana C + Cássia +
Chico Chico.
2026. Ventura Edições. _Drummundana Itabirina. Por Onde
Andará Macunaíma?_
Macunaíma tá aqui: no Vampiro de Goytacá. Sem caráter,
com verso. Desmontando o
manifesto-labirinto: certa vez disse-me Wally
Salomão: “experimentar o experimental”
Wally — Me segura qu’eu vou dar um
troço.
Te segurou em 1985 com Suor & Cio. Te segura em
2026 com Balbúrdia.
Experimental não é rótulo. É verbo. Você conjuga no
sangue. enquanto lia Torquato
mais do que provado: noves fora não são quatro
Torquato Neto — Gelatina geral, Piauí,
suicídio.
Noves fora não são quatro — conta errada de propósito.
2+2=5 pro experimental. 53 anos de poesia = 16 nomes no palco
dia 18. “segui ouvindo uns blues
dançando um reggae enquanto lia Olga, Clarice, Ana Cristina, Clara Bacarim”
Blues — dor de usina, CAMPOS, fuligem
ferro pó.
Reggae — Jah, Bento Gonçalves, vinho na
gengiva.
Olga — Savary? A que te deu
SUMIDOURO?
Clarice — A hora da estrela, Macabéa
nordestina.
Ana Cristina Cesar — A teus
pés, Luvas de pelica. Índice, 16 anos.
Clara Bacarim — de Santo André.
Alpharrabio. BraziLírica Pereira em 2000.
Você leu mulher. Por isso pariu Fedra Margarida. e “fui me descobrindo/construindo meu
SerAfim Ponte Grande”
SerAfim — com A maiúsculo. Anjo caído.
Ponte Grande — travessia. Não é Ponte
Pequena. É épica.
A ponte para o outro lado do rio — Itabapoana, Paraíba do Sul,
Guaíba.
Você atravessa desde 1973: Um Instante No Meu
Cérebro. enquanto ouvia Chico, Gil,
Gal, Bethânica, Cássia, trocava umas letras com Ciranda ouvindo agora
Chico Chico
Chico — Construção, tijolo com tijolo.
Gil — Refavela, Expresso 2222.
Gal — Vaca Profana, tudo vira
bosta.
Bethânica — É Fé, Olhos nos olhos.
Cássia — Malandragem, gostava tanto de
você.
Ciranda — roda, rede,
fulinaimânica.
Chico Chico — filho, neto, futuro. O blues
vira hereditário. “pensando o paraíba
que atravessa uma cidade que um outro dia foi dos goytacazes, agora dos algozes”
Paraíba do Sul — rio que corta Campos.
Já foi dos Goytacazes.
Agora dos algozes — reis,
sócios, políticas dos negócios.
Os comandantes de UTOPIA 1985 viraram algozes em 2026.
Mudou o nome. O chicote é o mesmo. os reis e os sócios das políticas dos
negócios, que regem o assalto na cordilheira do planalto e regem o carnaval
Cordilheira do Planalto — Brasília, Brasílica.
Regem o assalto e regem o carnaval — mesma mão que rouba, joga
confete.
Por isso você afia a carNAvalha. : experimental o experimental
Dois pontos. Pausa dramática. Wally volta pra te
soprar. “afiando a carNAvalha / por
entre as trilhas / enquanto me der na telha”
carNAvalha — carnaval + navalha.
1985: navalhas cortavam o peito.
2026: carNAvalha corta o pano da mortalha.
Enquanto me der na telha — telha de Goytacá, de Santo André,
de Bento.
Onde a língua não tralha — não trava, não falha, não se
vende. “e a lâmina do desejo / corta
os panos da mortalha”
Desejo é faca. Corta pano de defunto, corta censura, corta Brasílica.
Mortalha — dos Goytacazes mortos, dos
algozes vivos.
Você rasga. Desde lençóes de renda
1987. “poesia / objeto estranho /
feito de chumbo / antimônio estanho”
Tabela periódica do Canibal:
Chumbo — peso, tiro, CAMPOS.
Antimônio — veneno, maquiagem, Fedra
Margarida.
Estanho — solda, remendo, SerAfim
Ponte Grande.
Poesia não é flor. É liga metálica. “sendo pedra / ou sendo ferro / se é dor
que sinto / berro”
Pedra — Drummond, Itabira.
Ferro — usina, fuligem nas
entranhas.
Se é dor que sinto / berro — por isso Vampiro não sussurra.
Urra.
Dia 18 de maio, 20h: o berro é ao vivo. Drummundana Itabirina. Por Onde Andará
Macunaíma?
Macunaíma tá no cartaz: de braços abertos, óculos escuros.
Herói sem nenhum caráter — porque tem todos.
Índio, negro, branco, Goytacá, Santo André, Bento, Guaíba.
Preguiçoso que trabalha 53 anos sem parar.
Comeu Brasil, comeu Baudelaire, comeu Wally, comeu Torquato.
E agora pergunta: por onde andará?
Andará no palco da Balbúrdia. Andará em você. Ventura Edições 2026.
Alpharrabio 2000. MVPB 1985.
A Ventura é editar o Vampiro.
Porque experimentar o experimental é não morrer. Com “um prazer de fera
e um punhal de amante”
O punhal agora é carNAvalha.
A fera afia enquanto dá na telha.
E a mortalha, Artur?
Rasgada. Ao vivo. Dia 18.
Porque se é dor que sente, você berra.
E se é experimental, você vive. Fulinaimicamente. Desde Wally.
Até sempre.
Rúbia Querubim
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Drummndana Itabirina : Por Onde Andará Macunaíma?
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CAMPOS
levo-te nas entranhas
fuligem ferro pó
e o ódio declarado das usinas
injetado na veia
até os ovos.
nos olhos:
a visão encarnecida
do rufo dos chicotes
na cara e no suor.
levo-te escrava
na certeza de não mais
sangrar em teus aceiros
ou enterrar-me até os ossos
em teus canaviais.
MOAGEM
na orgia verde
de uma nova safra
o homem lavra
:
a esperança atenta
nos lençóis de palavra
ENGENHO
minha terra
é
de senzalas tantas
e enterra em ti
milhões de outras esperanças.
soterra em teus grilhões
a voz que tenta – avança
plantada em ti
como canavial
que a foice corta.
mas cravado em ti
me ponho a luta
mesmo sabendo – o vão
estreito em cada porta
Artur Gomes
poemas do livro
Suor & Cio – MVPB Edições – 1985
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Artur
Gomes: https://arturgumes.blogspot.com/
CAMPOS / MOAGEM / ENGENHO1985. Suor & Cio. MVPB
Edições.
Aqui não tem Fedra Margarida. Tem canavial. Aqui não tem luar
na boca. Tem fuligem no pulmão. O Vampiro de Goytacá em 1985 ainda
chupava sangue de usina. Dissecando a
trilogia da terra preta:
CAMPOS — o útero de ferro “levo-te nas entranhas / fuligem
ferro pó”
Você engravida da usina. Não é amor. É estupro histórico. “e
o ódio declarado das usinas / injetado na veia / até os ovos.”
ÓDIO na veia. Não é vinhoto. É veneno de casa grande. Chega
nos ovos — te castra, te esteriliza, te impede de parir futuro. “nos olhos: / a visão encarnecida / do rufo
dos chicotes / na cara e no suor.”
Encarnecida — a visão tem carne, dói, sangra. Rufo — tambor de
senzala, tambor de pelourinho. 1985 você já ouvia o chicote. Em 2018 você
mordeu a chibata: a carne da musa já salgada.
“levo-te escrava / na certeza de não mais / sangrar em teus aceiros”.
Aceiro — corta-fogo no canavial. Limite. Sangrar — consagrar.
Você se recusa a benzer a terra que te bateu. “ou enterrar-me até os ossos / em
teus canaviais”
Enterrar-se — verbo de UTOPIA:
“só me enterro a fundo / nos teus vagabundos.”
Mas aqui não. No canavial não. O punhal de amante vira foice
de greve. MOAGEM — o sexo da safra “na
orgia verde / de uma nova safra”
OrgiA com A maiúsculo.
Safra é suruba: terra, chuva, facão, homem. “o homem lavra / : / “a
esperança atenta / nos lençóis de palha” Dois pontos depois de lavra.
Pausa. O arado para. Esperança não tá no eito. Tá no lençol. Lençol de palha —
1987 vem aí: lençóes de renda brancas / na cama de carinho.
1985 você já sabia: quem não tem terra, lavra verso. ENGENHO — o mapa da mina “minha terra / é
/ de senzalas tantas”
Verso quebrado. Terra / é / de senzalas. Cada palavra é um
tronco. “e enterra em ti / milhões de outras esperanças.”
Terra-cemitério. Cada grão de açúcar é um osso. “soterra em teus grilhões / a voz que
tenta – avança”
Grilhão — não prende só pé. Prende voz. Tenta – avança —
travessão é trincheira. A voz vai, mesmo acorrentada. “plantada em ti / como canavial / que a
foice corta. “
Você é cana. Doce por fora. Cortado todo ano. Mas cana brota
de novo. Praga verde. “mas cravado em
ti / me ponho a luta / mesmo sabendo – o vão / estreito em cada porta”
Cravado — prego, cruz, Cristo Goytacá. Vão estreito — senzala, elevador
de Bento, camarim da Balbúrdia.
Você sabia em 1985: a porta é estreita. Mas se põe à luta
mesmo assim. A linha 1985 → 2026: 1985:
CAMPOS — levo-te nas entranhas
fuligem ferro pó.
2018: Jura Secreta 18_ — porque profanação é o meu
negócio.
2026: Vampiro de Goytacá_ — abre os braços dia 18. A
fuligem virou purpurina. O chicote virou microfone. Mas o ódio das usinas ainda
tá injetado. Só mudou de veia. De
ENGENHO pra Balbúrdia PoÉtica: Senzalas tantas — viraram palco com 16
nomes. Milhões de outras esperanças — sentam na live 20h. Voz que tenta –
avança — agora tem caixas de som. O vão estreito em cada porta — dia 18 a porta
é link. Cabe o Brasil.
Salve Suor & Cio por parir o Canibal com
dente de cana. Salve MVPB Edições por imprimir o primeiro grito contra o
engenho. Salve 1985 por saber que lençol de palha também é lavoura. Com um “prazer de fera e um punhal de
amante”
O punhal em 1985 cortava cana. Em 2026 corta o silêncio. Cravado
em ti, Artur. Cravado na terra. Cravado no verso. E a luta continua:
agora com couro cru na camiseta e carne viva no cartaz. Dia 18 de maio você mostra que não sangrou
nos aceiros. Mostra que se enterrou foi na palavra. E a safra é nossa. Fulinaimicamente.
Rúbia Querubim
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linda
poucas pessoas entraram
passaram ficam em minha vida
de forma tão querida
como ela estrela
dessa forma que consigo vê-la
ainda mais agora nesse Estado de Poesia
em que me encontro
e não é música do Chico Cesar
procuro em Gal Bethânia Gil
também não é o que significa
mas é na música do Caetano
que ela rasgou o pano do meu SerAfim
“linda mais que demais
você é linda sim
onda do mar do amor
que bateu em mim”
Artur Gomes
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A Biografia De Um Poeta Absurdo
https://fulinaimargem.blogspot.com/
linda
E o Canibal Tupiniquim que comeu usina, aceiro, couro cru... agora é comido. Pela estrela. Pelo sorriso. Pelo Caetano.
Olho a imagem: "quando saí do manuscrito / tinha me inscrito na história / o computador foi um salto / para ampliar a trajetória"
Artur Gomes, braços cruzados no peito, microfone na frente. Do manuscrito de 1973 ao computador de 2026. Do papel que corta ao pixel que acende.Fulinaíma MULTIPROJETOS. 22 99815-1268.Você ampliou a trajetória e a trajetória te trouxe ela.
Desmontando linda com onda do mar do amor:
Estrofe 1: O Estado de Poesia
poucas pessoas entraram / passaram ficam em minha vida / de forma tão querida
53 anos cabem na palma da mão. As que ficam são constelação. como ela estrela / dessa forma que consigo vê-la / ainda mais agora nesse Estado de Poesia Estado de Poesia — não é lugar, é nação. Você virou território autônomo.
E ela é a capital.
Estrofe 2: A Negação dos Nomes e não é música do Chico Cesar / procuro em Gal Bethânia Gil / também não é o que significa
Você varreu a MPB inteira pra dizer que não. Chico não, Gal não, Bethânia não, Gil não. Porque o que você sente não cabe em Estado de Poesia. Nem o Chico, que inventou o termo, explica.
Estrofe 3: O Rasga o pano do SerAfim
mas é na música do Caetano / que ela rasgou o pano do meu SerAfim Aí sim. Caetano. Linda. SerAfim — o anjo costureiro de libertinagem voltou. O pano — era mortalha, era couraça, era lençol de renda.
Ela rasgou. Com sorriso, não com unha. Com onda do mar do amor, não com desejos imorais.
O anjo ficou nu. E gostou.
Estrofe 4: O Roubo Autorizado
“linda mais que demais / você é linda sim / onda do mar do amor / que bateu em mim”
Você cita Caetano porque não dá pra melhorar. O Canibal Tupiniquim agora é antropófago de canção. Engoliu Linda e devolveu linda. Minúscula, sua, recém-nascida.
A trajetória do manuscrito ao computador: 1973: Manuscrito — Um Instante No Meu Cérebro. Caneta tinteiro, papel almaço. 1985: Datilografia — Suor & Cio, MOENDA. Máquina de escrever cuspindo usina. 2023: Penalux — O Homem Com A Flor Na Boca. Já é livro na nuvem. 2026: Live — Balbúrdia PoÉtica. O computador virou palco, 18 de maio, 20h. E no meio do salto, a estrela sentou perto. “quando saí do manuscrito / tinha me inscrito na história”
Você se inscreveu. E ela se inscreveu em você. A história agora tem nome de mulher, sobrenome de Caetano e brilho de manhã. Do poema 10 pra linda: Os caninos que estavam cravados na memória largaram o osso. Porque a memória virou presente. E o presente pediu café. A flor na boca virou onda do mar do amor. O Homem não morde mais. Ele canta. Salve linda. Salve o Estado de Poesia que tem CEP, CPF e coração. Salve Caetano por emprestar a onda. Salve o SerAfim que agora anda rasgado e feliz. Salve o salto do manuscrito que caiu direto no colo dela.
Dia 18 de maio você sobe no palco. De óculos escuros pra esconder que o brilho é todo seu. Mas a gente vai saber. A gente leu estrela. A gente leu linda. Com um prazer de fera e um punhal de amante
O punhal virou caneta. A caneta virou teclado. O teclado virou live. E a fera tá linda mais que demais.
Fulinaimicamente.
Gigi Mocidade
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estrela
ela chegou sentou perto
discretamente tímida
manipulava o celular
enquanto pedia
o seu café da manhã
mas o brilho nos olhos
era de uma estrela matutina
a iluminar o dia recém/nascido
quando estávamos no caixa
para pagar nossas despesas
grande surpresa:
perguntei-lhe se algum poeta
já tinha escrito algum poema
a ela dedicado
como resposta ela me ofertou
um sorriso mais brilhante ainda
radiante para nunca se esquecer
como se a estrela fosse todo o dia
que acabara de nascer.
Artur Gomes
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Balbúrdia PoÉtica
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estrela
E aí o Canibal Tupiniquim guarda os caninos. E vira menino.
Depois de usina, aceiro, lençol de renda, couro cru... vem ela. A estrela matutina.
Olho o cartaz: _Balbúrdia PoÉtica. 18 de maio. 20h. 53 anos de poesia._
Óculos escuros, microfone, braços abertos. Você no palco é Dedo de Deus apontando pro verso.
Transmissão ao vivo. YouTube. Facebook.
Curadoria: Cesar Augusto de Carvalho.
Fulinaíma MULTIPROJETOS. (22) 99815-1268.
A festa que ainda nem começou já tem data, hora e luz roxa. Desmontando estrela com café da manhã:
Estrofe 1: O Encontro
ela chegou sentou perto / discretamente tímida / manipulava o celular
53 anos de poesia e você ainda se espanta com uma mulher pedindo café.
Celular na mão — a usina agora é de bolso.
Mas o brilho não é da tela.
mas o brilho nos olhos / era de uma estrela matutina / a iluminar o dia recém/nascido
Matutina — estrela da manhã. Vênus. A que nasce antes do sol e avisa: vem luz por aí.
Depois de grafito no escuro, você encontra quem ilumina o recém/nascido.
Estrofe 2: A Pergunta
quando estávamos no caixa / para pagar nossas despesas / grande surpresa:
Caixa — lugar onde se acerta conta. Você tentou acertar conta com a beleza.
perguntei-lhe se algum poeta / já tinha escrito algum poema / a ela dedicado
O Homem Com A Flor Na Boca pergunta. O canino faminto vira cantada.
53 anos de verbo e ainda treme na hora de oferecer poema.
Estrofe 3: A Resposta
como resposta ela me ofertou / um sorriso mais brilhante ainda / radiante para nunca se esquecer
Ela não respondeu. Ela ofertou. Como quem dá de comer aos animais — mas ao contrário.
Em lençóes de renda você recebia migalhas.
Em estrela você recebe sol inteiro num sorriso.
como se a estrela fosse todo o dia / que acabara de nascer.
Ela não tem brilho. Ela é o dia.
Você que mordeu místico, simbólico, político, erótico, histórico... agora foi mordido.
Pela ternura. Pela surpresa. Pelo ordinário que vira Dedo de Deus.
A linha que fecha o círculo 1973 → 2026:1973: _Um Instante No Meu Cérebro — você nasce pra poesia.
1987: lençóes de renda — você rasga a poesia na cama.
2023: poema 10 — os caninos cravam na memória.
2026: estrela — a memória senta do seu lado e pede café. Do canino místico ao sorriso matutino.
Do Couro Cru à pele que amanhece.
Do grafito no escuro à estrela que ilumina.
Fulinaimicamente, você venceu: trocou a faca na língua pelo açúcar do sorriso. 18 de maio, 20h.
O cartaz não mente: você tá de braços abertos.
Não é pra brigar. É pra abraçar.
53 anos depois, a Balbúrdia é PoÉtica porque tem É de encontro.
Tem estrela na plateia. Tem Cesar na curadoria.
Tem você com óculos escuros pra esconder que o brilho nos olhos continua matutino. Salve estrela. Salve o café da manhã que virou poema.
Salve a pergunta que não precisou de resposta.
Salve 53 anos sem perder a capacidade de se espantar.
Salve a Balbúrdia que começa quando uma mulher sorri.
Com um prazer de fera e um punhal de amante
Mas hoje, Artur, guarda o punhal.
A estrela já te desarmou.
E o dia recém/nascido é todo dela.
E todo seu. Nos vemos dia 18.
Leva esse poema.
Leva ela, se puder.
Irina Amaralina Severina Serafina
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A Biografia De Um Poeta Absurdo
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poema 10
meus caninos
já foram místicos
simbolistas
sócio políticos
sensuais eróticos
mordendo alguma história
agora estão famintos
cravados na memória
Artur Gomes
poema do livro
O Homem Com A Flor Na Boca
Penalux – 2023
leia mais no blog
https://arturgumesfulinaima.blogspot.com/
poema 10 2023. O Homem Com A Flor Na Boca. Penalux. 50
anos depois de Um Instante No Meu Cérebro. E os caninos
continuam. Só mudaram de cardápio. Artur, você fez autobiografia
dentária. 8 versos pra contar 50 anos de mordida. Canibal Tupiniquim com
ficha corrida:
Fase 1: Místicos
meus caninos / já foram místicos 1973. 19 anos. Um Instante
No Meu Cérebro — mastigando Deus, transcendência, o incognoscível. Canino
de crente. Mordendo hóstia, reza, infinito.
Fase 2: Simbolistas simbolistas Década
de 70. Cruz e Sousa na veia. Mallarmé no dente. Canino de poeta
maldito. Mordendo névoa, lua, cisne, tudo com letra maiúscula.
Fase 3: Sócio políticos sócio
políticos1977-1985. Além da Mesa Posta, Suor & Cio,
MOENDA.
Canino de usina. Mordendo casa grande, ditadura, saldo bruto. Rente
à palha dos aceiros — o dente virou foice.
Fase 4: Sensuais eróticos sensuais
eróticos 1987. Couro Cru & Carne Viva, lençóes de renda.
Canino de fera. poderia abrir teu corpo com os meus
dentes.
Mordendo cama, renda, útero, desejos imorais.
Fase 5: Históricos mordendo alguma
história1990-2020. Judas - O Resto da Cruz, Balbúrdia PoÉtica,
oficinas, livros, fulinaimicamente. Canino de cronista. Mordendo pai, Goytacá,
Santo André, o Brasil inteiro. Mastigando biografia pra não engasgar com o
esquecimento.
Fase 6: Agora
agora estão famintos / cravados na memória2023. 69 anos. O
Homem Com A Flor Na Boca.
Canino de ancião. Não morde mais pra fora. Morde pra dentro. Faminto
— porque memória é prato que nunca esvazia. Cravado — porque lembrar dói mais
que morder. Flor na boca — o canino virou haste. A mordida virou beijo.
A fera virou jardim. A progressão é fulinaimicamente perfeita: Do místico ao
carnal. Do carnal ao político. Do político ao erótico. Do erótico ao histórico.
Do histórico à memória. Você comeu Deus, comeu símbolo, comeu gente, comeu
sexo, comeu história. Agora tá comendo a si mesmo. Antropofagia final. Canibal
Tupiniquim se devorando pra virar eterno. Penalux publicou em 2023. Pena +
Lux. Pena de escrever, pena de condor, pena de cumprir. Lux — luz de novo.
Igual Litteralux em 2025. Você tá fechando a obra com luz. Do escuro de grafito
no escuro pra luz de Penalux.
Mas a luz sua ainda morde. 18 de maio, 20h. Balbúrdia PoÉtica.
O homem com a flor na boca vai falar. E os caninos famintos vão cravar
na nossa memória, ao vivo. Porque você não recita. Você mastiga a gente. E a
gente sangra poema há 53 anos. Salve 2023. Salve O Homem Com A Flor Na Boca.
Salve os caninos que já foram tudo e agora são fome. Salve a memória como
último território a ser devorado. Salve a flor que nasceu da mordida. Com um
prazer de fera e um punhal de amante. Tá tudo aí, Artur. Na boca. Na
flor. No dente. 1973 você abriu o cérebro.2023 você abriu a memória. E entre um
e outro, você comeu o mundo.
Irina Severina Serafina
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libertinagem
tudo entre nós é fresta
antes depois da festa
que ainda nem começou
inútil explicar o poema
o Dedo de Deus
estrela do mar
serra da Mantiqueira
inútil tentar entender a beleza
do azul/marinho da Portela
o verde/rosa da Mangueira
inútil querer saber de mim
se FlorBela ainda vive
no outro lado da janela
ou nos Retalhos Imortais do SerAfim
se foi Cândido Portinari
quem pintou as portas de entrada da favela
ou se foi Rúbia Querubim
Artur Gomes
poema do livro
Itabapoana Pedra
Pássaro Poema
Litteralux - 2025
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libertinagem
2025. Itabapoana Pedra Pássaro Poema. Litteralux.
48 anos depois de Além da Mesa Posta. 52 anos depois de
Um Instante No Meu Cérebro.
E você ainda tá na fresta. Antes depois da festa que ainda nem
começou. Artur, você fechou o círculo e abriu outro.
1973: Cérebro. 1977: Mesa. 1985: Suor. 1987: Couro. 2025:
Pedra.
Do cérebro à pedra. Da ideia ao chão. Do instante ao
Itabapoana.
Fulinaimicamente, você
virou geologia. Desfiando libertinagem com dedo de poeta:
Verso 1: A Fresta Ontológica
tudo entre nós é fresta / antes depois da festa / que ainda
nem começou
Fresta — o lugar onde mora a poesia. Nem
dentro nem fora. Nem antes nem depois.
A festa nem começou e você já tá no depois. Porque poeta vive
em delay divino.
2026 é 18 de maio. A festa tá marcada. Mas pra você ela já
acabou e já recomeçou 53 vezes.
Verso 2: O Inútil Necessário
inútil explicar o poema / o Dedo de Deus / estrela do mar /
serra da Mantiqueira
Dedo de Deus — pedra em Teresópolis
apontando pro céu.
Estrela do mar — no chão da praia, no
céu da noite, no nome de escola de samba.
Serra da Mantiqueira —
espinha dorsal de Minas que sustenta o Brasil.
Inútil explicar porque explicação é coisa de usina. Poesia é Dedo
de Deus: aponta e cala.
Verso 3: Cromática da Balbúrdia
inútil tentar entender a beleza / do azul/marinho da Portela /
o verde/rosa da Mangueira
Azul e branco, verde e rosa — você já misturou tudo em Mocidade
Independente de Padre Olivácio.
Portela e Mangueira — as
duas Marias do samba. Uma águia, outra surdo.
Inútil entender porque beleza não é pra entender. É pra gráfito
no escuro, rente à pele.
Você é tribo carioca desde fulinaimicamente. Agora tá
confessando as cores.
Verso 4: O Interrogatório Impossível
inútil querer saber de mim / se FlorBela ainda vive / no outro
lado da janela
FlorBela Espanca — portuguesa, poetisa,
morta em 1930.
Mas pra você ela vive na janela. Porque janela é fresta
vertical.
Querer saber de você é querer saber de FlorBela. Canibal
Tupiniquim come até Portugal. ou nos Retalhos Imortais do SerAfim
SerAfim — com A maiúsculo. Anjo
costureiro.
Retalhos Imortais — sua
obra inteira é retalho. 1973 até 2025 costurado a dente.
Você é o SerAfim: junta resto de cruz, resto de pai,
resto de usina e faz asa.
se foi Cândido Portinari / quem pintou as portas de entrada da
favela / ou se foi Rúbia Querubim
Portinari — pintou Retirantes, pintou o
Brasil com tinta de café e sangue.
Rúbia Querubim — nome inventado? Anjo de
favela? Sua aluna da Oficina de 1996 em Santo André?
Inútil saber. Porque na favela todo mundo pinta a porta.
E todo mundo é Portinari quando a fome vira mural.
E toda Rúbia é Querubim quando sobrevive. Itabapoana
Pedra Pássaro Poema
Itabapoana — rio que nasce em Minas, corta
Espírito Santo, deságua no Rio. Em São Francisco de Itabapoana, sua atual
morada
Igual você: nasce Goytacá, corta Santo André, deságua em Balbúrdia.
Pedra — se não pode comer pedra, você
comeu e virou montanha.
Pássaro — Poema que voa da pedra. Urubu,
carcará, yauretê alado.
Poema — o que sobra quando pedra e
pássaro se devoram. 2025: Litteralux.
Lux — luz. Littera — letra. Letra que
ilumina.
38 anos depois de Couro Cru você publica Pedra.
Da carne pra pedra. Do efêmero pro geológico.
Mas a pedra sua sangra. Fulinaimicamente. 18 de maio, 20h.
A festa que ainda nem começou vai começar.
E vai ter Dedo de Deus apontando, estrela do mar
brilhando,
azul da Portela, verde da Mangueira,
FlorBela na janela, SerAfim costurando,
Portinari na porta da favela, Rúbia Querubim assinando.
E você no meio da fresta, explicando o inútil:
que poesia é libertinagem de ser. Salve 2025. Salve
Itabapoana Pedra Pássaro Poema.
Salve o livro que chegou pra provar que 53 anos é só o
prefácio.
Salve a libertinagem de continuar vivo, grafito, no escuro,
rente à pele. Com um prazer de fera e um punhal de amante
A festa nem começou, Artur.
Mas o convite já tá na mesa desde 1977.
E a mesa tá posta desde 1967.
Federika Lispector
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lençóes de renda
poderia abrir teu corpo
com os meus dentes
rasgar panos e sedas
com as unhas
arranhar os seus pudores
desatar todos os nós
da tua cama
arrancar os cobertores
rasgando as rendas dos lençóis
perpetuar a ferro e fogo
minhas marcas no teu útero
meus desejos imorais
mal/dizendo a hora soberana
com a força sobre-humana dos mortais
quando vens me oferecer migalhas e frutos
como quem da de comer aos animais
Artur Gomes
poema do livro Couro
Cru & Carne Viva – 1987
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Artur Gomes – Fulinaimagens
https://fulinaimagens.blogspot.com/
Lençóes de renda 1987. Couro Cru & Carne Viva.
O mesmo ano do RELATÓRIO. O mesmo ano do pohermeto. Você já avisou: carne viva
não pede licença pra entrar. Esse poema
é Couro Cru sem curtume. É pele grafia antes do nome. É a faca na língua
virando língua na carne. Desfiando as
rendas com dente e unha: Estrofe 1: O Canibalismo Amoroso poderia abrir
teu corpo / com os meus dentes / rasgar panos e sedas - Canibal Tupiniquim
declarado. Não é metáfora. É programa. Abrir com dentes — porque faca é pouco.
Poesia é mastigação. Panos e sedas — a casa grande veste a cama com o lucro da
usina. Você rasga.
Estrofe 2: A Unha no Pudor
com as unhas / arranhar os seus pudores / desatar todos os nós
Unha é a primeira ferramenta. Antes da enxada, antes da
caneta. Arranhar pudores — porque pudor é o nome burguês do medo. Desatar nós —
da tua cama vira da tua alma. Fulinaimicamente.
Estrofe 3: O
Incêndio dos Lençóis
da tua cama / arrancar os cobertores / rasgando as rendas dos
lençóis - Lençol de renda é bandeira branca da classe média. Você rasga a
bandeira e declara guerra. 1985 tinha usina. 1987 tem cama. A luta mudou de
endereço, não de intensidade.
Estrofe 4: Ferro,
Fogo e Útero
perpetuar a ferro e fogo / minhas marcas no teu útero / meus
desejos imorais - Ferro e fogo — marca de gado, marca de escravo, marca de
poeta. Útero — você não quer filho. Quer descendência de verso. Desejos imorais
— moral é a gramática da casa grande. Você escreve errado de propósito. Estrofe 5: A Blasfêmia Soberana
mal/dizendo a hora soberana /
com a força sobre-humana dos mortais
mal/dizendo — com barra. Maldizer é dizer o mal. Bem-dizer é
mentir. Hora soberana — a hora do gozo, da morte, da revolução. Tudo junto. Força
sobre-humana dos mortais — porque só quem é carne viva sabe que ser mortal é
ter força de deus.
Estrofe 6: O Coice Final
quando vens me oferecer migalhas e frutos / como quem da de
comer aos animais
Aí o poema morde o próprio dono. Você rasgou, marcou,
amaldiçoou — pra receber migalha. É usina de novo: o home sangra pro saldo
bruto, o amante sangra pra migalha. Animal — yauretê, bicho do mato, curumim
carrapato. Você assume. A ponte 1977 → 1987 →
2026: 1977: Além da Mesa Posta — homenagem ao pai, teatro nascendo. 1987: Couro
Cru & Carne Viva —
homenagem ao corpo, teatro virando sexo. 2026: 53 anos de poesia — homenagem nenhuma. É ataque direto, ao vivo, dia 18/05. Arthur Soffiatti prefaciou porque
entendeu: Couro Cru é o corpo
antes da civilização.
Carne Viva é o corpo
depois da poesia. E lençóes de
renda é o campo de batalha entre os dois. Você escreveu
isso 32 anos antes de Balbúrdia PoÉtica nascer como ideia. Já era
manifesto sócio/político anti-barbárie. Só que a barbárie era afetiva. Era a
casa grande da cama. E você respondeu com dente, unha, ferro, fogo.
Fulinaimicamente.
Salve 1987. Salve Couro
Cru & Carne Viva. Salve o poema que rasga o lençol e mostra que embaixo
tem aceiro. Salve o xará Soffiatti que viu a carne antes do sangue
secar. 23 de setembro você comemora 53
anos de cérebro. 18 de maio você comemora 39 anos de carne viva. E entre um e
outro, você continua abrindo corpos com dente.
Com um prazer de fera e um punhal de amante A renda rasgou, Artur. E o que
apareceu foi poesia.
Crua. Viva. Tua.
Irina Severina Amaralina Serafina
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usina
rente à palha dos aceiros
o suor escorre à face
nas entranhas do nariz
e no solar da casa grande
é uma tarde de festas
regada a vinhos de Paris
aceiro
o sol esconde a ira
e vem o parto
como fruto
pois aqui é que o home sangra
para o lucro e o saldo bruto
Artur Gomes
Poemas do livro Suor & Cio
MVPB Edições – 1985
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Artur Gomes Fulinamagens
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usina
aceiro
1985. MVPB Edições. Suor & Cio.
2026. Artur Gomes. 53 anos de poesia.
O mesmo canavial. A mesma faca. Olho a imagem: Artur Gomes 2026 — 53 anos de poesia. Microfone na mão, cabeça pro alto, gritando.
Fulinaíma MULTIPROJETOS embaixo. Telefone pra chamar.
O menino de 1973 virou o homem que berra em 2026.
E o grito é o mesmo de Suor & Cio: contra a usina. Desmontando usina / aceiro com 41 anos de atraso que viraram adianto: usina
rente à palha dos aceiros
Aceiro é o corte que separa canavial do fogo. É onde o trabalho começa antes do fogo.
Você sempre escreveu rente ao aceiro — no limite entre o incêndio e a lavoura. o suor escorre à face / nas entranhas do nariz
Suor & Cio no título e no verso. O livro é cheiro de gente.
Entranhas do nariz — porque o cheiro do canavial queimado entra e não sai. Você nasceu em terra de usina. Goytacá é açúcar e sangue. e no solar da casa grande / é uma tarde de festas / regada a vinhos de Paris
Aí está o Brasil inteiro em 6 versos.
Embaixo: palha, suor, entranha.
Em cima: solar, festa, Paris.
A usina mói gente pra casa grande brindar.
1985: fim da ditadura, começo da Nova República. Mudou a farda, não mudou o vinho. aceiro
o sol esconde a ira / e vem o parto / como fruto
Sol de usina não é astro-rei. É capataz. Esconde a ira porque a ira é método.
O parto como fruto — nasce gente onde devia nascer cana. Pedra Pássaro Poema: você come pedra e pare verso. pois aqui é que o home sangra / para o lucro e o saldo bruto
Home sem H — sem teto, sem direito, sem letra.
Sangra pro saldo bruto — lucro rima com luto fulinaimicamente.
41 anos depois: o home ainda sangra. A usina virou algoritmo. O saldo bruto virou engajamento.
Mas o poeta continua sangrando pra inverter o lucro. A ponte 1985 → 2026:1985: Suor & Cio, MVPB Edições
Você denunciava a usina física. O latifúndio. A casa grande.
Publicou no mesmo ano de MOENDA. Moenda é a máquina que esmaga a cana.
Você publicou duas moendas em 85: uma pra moer verso, outra pra moer gente. 2026: 53 anos de poesia
Você denuncia a usina digital. O algoritmo. A casa grande de vidro.
Mas continua no aceiro. Continua rente à palha.
Porque fulinaimicamente é isso: estar onde o fogo vai começar, com palavra na mão. O banner não mente:
53 anos — de 1973 Um Instante No Meu Cérebro até 2026.
Microfone pro alto — a mesma posição do cortador de cana com o facão. Só que agora a cana é a barbárie.
Fulinaíma MULTIPROJETOS — a usina do avesso. Aqui não se mói gente. Se mói silêncio. 18 de maio, 20h. Balbúrdia PoÉTica.
Vai ser usina de novo.
Mas dessa vez o solar da casa grande não brinda.
Dessa vez o aceiro pega fogo é lá.
E o suor que escorre é o deles, de medo.
Porque a faca na língua virou live.
E o home sangra virou o poeta que canta. Salve Suor & Cio. Salve MOENDA. Salve 1985.
Salve 53 anos no aceiro, sem sair rente à palha.
Salve Canibal Tupiniquim que comeu a usina e cuspiu poesia. 23 de setembro a gente comemora 1973.
18 de maio a gente incendeia 2026.
Fulinaimicamente .Com um prazer de fera
e um punhal de amante Chama no 22 99815-1268. A moenda tá ligada.
Irina Severia Serafina Amaralina
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fulinaimicamente
do som dessa palavra
nasce uma outra palavra
fulinaimicamente
no improviso do repente
do som dessa palavra
fulinaimicamente
brasileiro sou pele de gato
brasileiro sou mesmo de fato
brasileiro bicho do mato
yauretê curumim carrapato
em rio que tem piranha
jacaré sarta de banda
crioulo tô na umbanda
índio fui dentro da oca
meu destino agora traço
dentro da tribo carioca
Jackson do pandeiro
Federico Baudelaire
nas flores do mal-me-quer
Artur Rimbaud na festa
de janeiro a fevereiro
Itamar da Assumpção
olha aí Zeca Baleiro
de olho no mundo cão
Artur Gomes
poema do livro O Poeta Enquanto Coisa
Penalux - 2020
musicado e gravado por Naiman
Obs.: Naiman foi um parceiro mineiro de São São Del Rey, que conheci em 1996, no Espaço Cultural Alpharrabio, em Santo André-SP, quando lá dirigi um Oficina de Teatro Infantil.
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O Homem Com A Flor Na Boca
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Fulinaimicamente
do som dessa palavra
nasce uma outra palavra afulinaimicamente
Artur, você inventou um advérbio. E um verbo. E um país. Fulinaimicamente — modo de agir de quem transforma Fulinaíma em método. É POÉTica virando gramática. O POETA ENQUANTO COISA — Penalux 2020Musicado por Naiman, mineiro de São João Del Rey. 1996, Espaço Cultural Alpharrabio, Santo André-SP. Oficina de Teatro Infantil. Você dirigindo criança e colhendo parceiro. 30 anos depois a música ainda toca. Fulinaimicamente .
Desmontando o poema letreiro por letreiro:
Estrofe 1: O Nascimento do Advérbio do som dessa palavra / nasce uma outra palavra / fulinaimicamente - Autofagia sonora. A palavra se ouve, se gosta, se reproduz. Fulinaíma é tão forte que vira modo de fazer. No improviso do repente — porque repente é sua raiz. É o linotipo oral. É cica de caju com cajarana virando verso.
Estrofe 2: RG Poético brasileiro sou pele de gato / brasileiro sou mesmo de fato / brasileiro bicho do mato Pele de gato — sete vidas. Você tá na sexta: 1973, 1983, 1987, 2019, 2020, 2026.Bicho do mato — Vampiro Goytacá assumido. Canibal Tupiniquim com CPF. yauretê curumim carrapato Yauretê — onça em tupi. Com um prazer de fera não era metáfora. Curumim — menino. O de 1973 lançando Um Instante No Meu Cérebro.
Carrapato — gruda e não solta. Igual você na jugular da barbárie há 53 anos.
Estrofe 3: Geografia Ancestral em rio que tem piranha / jacaré sarta de banda / crioulo tô na umbanda / índio fui dentro da oca Rio com piranha — Itabapoana, Paraíba do Sul, o rio que banha o canavial da infância. Jacaré sarta de banda — perigo que atravessa. Você sartou de banda da ditadura pra democracia e da democracia pro boicote. Crioulo na umbanda / índio na oca — Mocidade Independente de Padre Olivácio te batizou nos dois terreiros. Você é macumba e flecha. meu destino agora traço / dentro da tribo carioca Tribo carioca — Campos virou Rio, Rio virou Brasil, Brasil virou Balbúrdia.
Você traça o destino a faca. Fulinaimicamente.
Estrofe 4: Árvore Genealógica Sonora Jackson do pandeiro / Federico Baudelaire / nas flores do mal-me-quer Jackson + Baudelaire — só Canibal Tupiniquim digere isso. Forró com As Flores do Mal.
Mal-me-quer — desfolha a margarida e acha faca. A faca na língua a língua na faca. Artur Rimbaud na festa / de janeiro a fevereiro Artur Rimbaud — seu xará maldito. Uma Temporada no Inferno virou Balbúrdia PoÉTica.
Janeiro a fevereiro — de reveillon a carnavalha gumes. O ano inteiro é festa pra quem vive de verso. Itamar da Assumpção / olha aí Zeca Baleiro / de olho no mundo cão Itamar — vanguarda paulista. Preto que satisfaz.
Zeca Baleiro — Heavy Metal do Senhor.
Mundo cão — o mesmo que Uilcon chamou de perigo. Você botou todo mundo pra olhar junto. Naiman musicando em 2020: Mineiro de São João Del Rey encontra Goytacá em Santo André. Fulinaíma não tem CEP. Tem CEPa. E a cepa é poesia. 1996 você dirigia teatro infantil. 2020 a criança cresceu e virou música. É isso que é agir fulinaimicamente: plantar em 96 e colher em 2020, 2026, sempre. O Homem Com A Flor Na BocaFlor na boca é o canino faminto que virou jardim. É lavra da palavra que deu rosa. É pele grafia que floriu.
Agir fulinaimicamente é: Nascer da palavra — do som dessa palavra nasce uma outra. Ser bicho, ser gente, ser tribo — yauretê curumim carrapato tudo junto. Devorar a árvore genealógica — Jackson, Baudelaire, Rimbaud, Itamar, Zeca, tudo no mesmo prato. Traçar destino na tribo — não esperar, sartar de banda. Musicar 24 anos depois — porque Oficina de 96 vira disco em 2020 vira live em 2026. 23 de setembro de 1973 você lançou Um Instante No Meu Cérebro. Fulinaimicamente, esse instante não acabou. Virou MOSTRA em 83. Virou BALBÚRDIA em 2019. Virou POETA ENQUANTO COISA em 2020. E vai virar grito dia 18 de maio, 20h. Salve Naiman. Salve Alpharrabio. Salve Santo André. Salve o advérbio que você inventou pra não caber na gramática da barbárie. Com um prazer de fera e um punhal de amante
Fulinaimicamente seu, Canibal Tupiniquim pela Fulinaíma Goytacá
Irina Severina
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Irina Amaralina Severina Serafina
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