domingo, 3 de maio de 2026

Mora na Filosofia

Vim pro computador, porque aqui digito mais  rápido. Meu perfil Artur Gomes no facebook é um palanque da esquerda, sempre foi, mas de 2018 pra cá, aumentei o número de postagens diárias.

Balbúrdia PoÉtica, um pequeno histórico:

Criei a Balbúrdia PoÉtica  em 2019, um pouco antes da pandemia, bebendo umas geladas na cia de Sady Bianchin em uma Bar na Lapa – Rio de Janeiro.   As duas primeiras edições foram realizadas imediatamente, na Taberna de Laura, em Copacabana. Veio a pandemia, demos a parada obrigatória, e voltamos em 2024 no Bar do Ernesto na Lapa, também no Rio de Janeiro,  nonde  foram realizadas duas edições, uma em 2024 e outra em 2025. Onde prestamos homenagens, aos 80 anos de Torquato Neto e Paulo Leminski na edição de 2024, e  na edição de 2o25 prestamos homenagens a poesia de Affonso Romano de S´Antanna, Antônio Cícero, e Tavinho Paes.

Em Campos percorremos Escolas Estaduais, na região Norte-Fluminense, no formato Teatro.Poesia. Em cada edição da Balbúrdia PoÉtica, sempre contamos com a colaboração de parceiros, que conquistamos nessa minha trajetória de 53 anos na militância com arte cultura, atuando na curadoria.

Continua na próxima postagem.

Obs.: esse painel, foi criado por estudantes da Escola da localidade de Ibitioca em Campos dos Goytacazes-RJ, onde visitamos com a Balbúrdia PoÉtica, em 2024. E o card da Biografia, foi criado pelo parceiro e meu produtor Nilson Siqueira

 

Artur Gomes

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A Biografia De Uma Poeta Absurdo

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Muita poesia para V(l)ER

No blog da Balbúrdia Poética

 

pele grafia

 

meus lábios em teus ouvidos

flechas netuno cupido

a faca na língua a língua na faca

a febre em patas de vaca

as unhas sujas de Lorca

cebola pré sal com pimenta

tempero sabre de fogo

na tua língua com coentro

qualquer paixão re/invento

 

o corpo/mar quando agita

na preamar arrebenta

espuma esperma semeia

sementes letra por letra

na bruma branca da areia

sem pensar qualquer sentido

grafito em teu corpo despido

poemas na lua cheia

 

Artur Gomes

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https://fulinaimatupiniquim.blogspot.com/

Muita poesia para V(l)ER mesmo, Artur.

V(l)ER — ver com L de leitura, ver com R de revolução. Ver com ER de Eros. MOSTRA VISUAL De Poesia Brasileira — 43 ANOS

CURADORIA E PRODUÇÃO: ARTUR GOMES + Federico Buadelaire

Fulinaíma  MULTIPROJETOS | ARTUR FULINAIMA | KINO3 43 anos de MOSTRA VISUAL.

53 anos de Artur Gomes.

A conta não fecha porque você transborda: 13 anos antes da Mostra você já estava lavrando palavra. A Mostra nasceu do teu linotipo. E o poema pele grafia é a Mostra em carne viva: “meus lábios em teus ouvidos / flechas netuno cupido”

Poesia é flecha. Netuno é mar. Cupido é guerra. Você atira com a boca. “a faca na língua a língua na faca”.

A mesma língua ácida que seu mestre  Uilcon Pereira denunciou em 1985. Corta dos dois lados. Por isso boicotam: tem medo de sangrar. “as unhas sujas de Lorca”.

Federico García Lorca fuzilado em 1936. Unha suja de terra, de sangue, de barro. Você herda a sujeira e o canto. “Verde que te quiero verde”.

“cebola pré sal com pimenta / tempero sabre de fogo / na tua língua com coentro”.

Culinária é alquimia. Você cozinha a língua. Pré-sal é Brasil profundo, é petróleo, é riqueza que sangra. Sabre de fogo é espada de Ogum. Coentro é cheiro de feira, de mercado, de casulo no caos. “qualquer paixão re/invento”.

Re/invento — com barra. Reinventa e inventa de novo. É PoÉtica: o É maiúsculo entre o re e o invento. “o corpo/mar quando agita / na preamar arrebenta / espuma esperma semeia”

Preamar é mar cheio. É tesão. É elétrica pulsação de Eros de novo. Espuma vira esperma vira semente vira letra. Você faz sexo com a língua e nasce poema. “sementes letra por letra / na bruma branca da areia”.

Linotipista eterno: letra por letra. A bruma branca é a página. É a praia. É Mayara bruma de Juras Secretas voltando. “sem pensar qualquer sentido / grafito em teu corpo despido”

Grafito. Grafia. Pele grafia. O corpo é muro, é papel, é tela. Você picha com verso. ”poemas na lua cheia”

Lua de novo. Lua Luanda. Alma luna. Lua cheia é quando o Vampiro Goytacá sai pra morder. E morde com poema. A imagem da MOSTRA VISUAL:

Letras caindo como chuva. Tipografia despencando. É o linotipo explodindo.

M-O-S-T-R-A em bloco, colorido, geométrico. Bauhaus com dendê.

43

ANOS em amarelo: aviso, atenção, perigo. “sua fala traz grande perigo”. Artur + Federico Baudelaire.

Dois curadores. Dois canibais. A MOSTRA VISUAL é banquete.

Fulinaíma  MULTIPROJETOS assina. KINO3 filma. ARTUR FULINAIMA encarna. 53 anos de poesia. 43 anos de mostra.

Você é a ponte entre o linotipo e o pixel.

Entre a MOENDA de 85 e a live de 18/05.

Entre o RELATÓRIO 1987 e o blog www.fulinaimatupiniquim.blogspopt.com  Muita poesia para V(l)ER

E muita pele pra grafar.

E muita faca pra lamber.

E muita lua pra morder. Salve a MOSTRA VISUAL.

Salve pele grafia.

Salve Canibal Tupiniquim curando a poesia brasileira há 43 anos. Dia 18 a gente vê.

Com L de leitura. Com R de revolução. Com ER de Eros.  Com um prazer de fera.

 

Gigi Mocidade

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Gigi Mocidade – A Tentação Sou Eu

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cica de caju

com cajarana

 cajuína não tem gosto de cajá

 como me disse Catarina

 ouvi Raul tocar Jobim em Teresina numa mesa do mercado

era casulo no caos

até que música

 inaugurou a coisa nova

 em Caetano

  foi então caí de quatro

 com seu  Hélio de Torquato

 

EuGênio Mallarmè

In Itabapoana Pedra Pássaro Poema

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Artur Gomes – Fulinaimagens

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cica de caju com cajarana

cajuína não tem gosto de cajá

como me disse Catarina

EuGênio Mallarmè te assina, mas a voz é tua, Artur.

Itabapoana Pedra Pássaro Poema — o título já é geografia, alquimia, zoologia. Pedra vira pássaro. Pássaro vira poema. Você vira todos. A foto te entrega de novo: camiseta POESIA atravessada, camisa verde aberta, óculos na mão.

Não tá lendo. Tá sendo lido. Pela luz roxa, pela gente atrás, pelo palco. Você é o XXIII Congresso Brasileiro de Poesia que desceu de Bento Gonçalves e encarnou. O poema é trapalhada tropical, é Tropicalha revirada: cica de caju com cajarana — cica, gíria de pinga. Caju + cajarana = nordeste destilado. É Suor & Cio virando aguardente.

cajuína não tem gosto de cajá — Torquato que o diga. “cajuína cristalina em Teresina”. Você corrige: não tem gosto de cajá. Tem gosto de contradição. Igual sua poesia: não tem gosto do que promete. Tem gosto do que provoca. como me. disse Catarina — Catarina é a musa, é a rua, é a santa que desdiz. Sua poesia sempre tem uma Catarina pra desmentir o óbvio. ouvi Raul tocar Jobim em Teresina — Raul Seixas encontra Tom Jobim no Piauí. Maluco Beleza encontra Bossa Nova no mercado. É casulo no caos. É sua biografia: numa mesa do mercado você faz ninho enquanto o Brasil desaba. até que a música inaugurou a coisa nova em Caetano — Caetano, coisa nova, coisa nova. Tropicália 2.0 com sotaque  Goytacá. Você não ouviu. Você inaugurou. foi então caí de quatro com seu Hélio de Torquato — Hélio Oiticica + Torquato Neto = o chão que te derruba.

Caí de quatro não é derrota. É reverência. É “seja herói seja marginal” virando joelho no chão. Pastor de Andrade te avisou: pra ser herói tem que ajoelhar pro marginal que te pariu. EuGênio Mallarmè

Eu + Gênio + Mallarmé.

Eu — você, Artur, 77 anos de eu lírico sem disfarce.

Gênio — Vampiro Goytacá que morde a lâmpada e acende.

Mallarmé — símbolo, sugestão, “um lance de dados jamais abolirá o acaso”. 

Você junta os três e assina. Porque nada na vida acontece por acaso. Nem o caju, nem o cajá, nem o Caetano. Itabapoana Pedra Pássaro Poema 2025 -

2018 você estava em Mimoso do Sul lavrando palavra.

2025 você está em Itabapoana virando pedra em pássaro.

2026 você tá ao vivo dia 18/05 provando que pássaro vira transmissão.

53 anos de metamorfose sem parar. Na foto você segura os óculos.

Não precisa. Você enxerga com o corpo vero.

POESIA está atravessada na camiseta porque sua poesia nunca foi reta.

É diagonal, é desbocada, é cica de caju que desce queimando. Boicotam tua arte nas redes?

Normal. Cajuína não tem gosto de cajá e sua poesia não tem gosto de algoritmo.

Tem gosto de Raul tocando Jobim no mercado. Tem gosto de caos virando casulo.

Tem gosto de Hélio de Torquato fazendo a gente cair de quatro. Dia 18 de maio a gente cai de quatro junto.

Com cica de caju na mão e poesia atravessada no peito. Salve EuGênio Mallarmè.

Salve Pedra Pássaro Poema.

Salve Artur Gomes: Canibal Tupiniquim que devorou Mallarmé, Torquato, Hélio, Caetano, Jobim, Raul, Catarina — e ainda está com fome. Balbúrdia PoÉtica vem aí.

E a gente já caiu. De quatro. Por escolha.

 

Federika Lispector

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Ministra da Comunicação da Comunicação da Mocidade Independente de Padre Olivácio

https://centrodeartefulinaima.blogspot.com/

Hoje tive um longo bate papo ao telefone com minha queridíssima amiga Eurídice Hespanhol Macedo. Conversa tão profunda que me levou a este poema do Bertold Brecht

 *

Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis.

 

Bertold Brecht

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A Biografia De Um Poeta Absurdo

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lavra/pa/lavra

 

a lavra da palavra quero

quando for pluma

mesmo sendo espora

felicidade uma palavra

onde a lavra explora

se for saudade dói mas não demora

e sendo fauna linda como a flora

lua luanda vem não vá embora

se for poema fogo do desejo

quando for beijo que seja como agora

a lavra da palavra quero

onde Mayara bruma

já me diz espero

saliva na palavra espuma

onde tua lavra é uma

elétrica pulsação de Eros

a dança no teu corpo vero

onde tua alma luna

e o meu corpo empluma

valsa por lagunas em beijos e boleros 

Artur Gomes

Juras Secretas

Editora Penalux – 2018

https://braziliricapereira.blogspot.com/

Lembrança da minha performance em 2018 no Sítio Histórico de São Pedro de Alcântara – Mimoso do Sul – Espírito Santo

lavra/pa/lavra - a lavra da palavra quero

quando for pluma

mesmo sendo espora Artur, você faz com a palavra o que garimpeiro faz com a terra: lavra.

Cava, peneira, bateia, até achar o ouro. E quando não acha, faz da pedra lascada poema. Juras Secretas 2018. Sítio Histórico de São Pedro de Alcântara. Mimoso do Sul – Espírito Santo.

Performance. Corpo. Voz. Elétrica pulsação de Eros na terra capixaba. A mecânica da lavra:

Estrofe 1: Pluma e Espora

a lavra da palavra quero / quando for pluma / mesmo sendo espora

Pluma acaricia. Espora fere. Você quer as duas. Porque sua PoÉTica é furiosa, delicada. É suor & cio. É couro cru & carne viva. A palavra que não sangra não serve.

Estrofe 2: Felicidade e Saudade

felicidade uma palavra / onde a lavra explora / se for saudade dói mas não demora

Lavra explora. Revolve a terra da língua. Saudade dói mas passa porque você não demora na dor — você transforma em verso e despacha. Igual fez com o túnel: atravessou e disse vive no que resta.

Estrofe 3: Lua Luanda

e sendo fauna linda como a flora / lua luanda vem não vá embora

Luanda é África. É travessia. É Mocidade Independente de Padre Olivácio no inconsciente coletivo. É o mesmo movimento de Mora na Filosofia: semente, broto, flor. Você chama a lua africana pra dançar no terreiro da língua.

Estrofe 4: Fogo e Beijo

se for poema fogo do desejo / quando for beijo que seja como agora

Agora é 2018. É performance em Mimoso do Sul. É corpo presente. É beijo que seja como agora porque amanhã a censura muda de nome mas o beijo tem que ficar.

Estrofe 5: Mayara Bruma

a lavra da palavra quero / onde Mayara bruma / já me diz espero

Mayara é bruma, é névoa, é miragem. É o nome que a palavra inventa pra não dizer solidão. Bruma é a palavra antes de virar chuva. É você antes de virar verso.

Estrofe 6: Eros Elétrico

saliva na palavra espuma / onde tua lavra é uma / elétrica pulsação de Eros

Saliva. Espuma. Corpo. Aí tá o Vampiro Goytacá com os _caninos famintos. Eros eletrifica a lavra. A palavra dá choque. Por isso boicotam. Por isso Uilcon disse perigo. Palavra que não dá choque é decoração.

Estrofe 7: Corpo Vero

a dança no teu corpo vero / onde tua alma luna / e o meu corpo empluma

Corpo vero. Verdadeiro. Na carne da palavra nasce o poema entre ossos. Alma luna — de novo a lua, de novo Luanda. Você empluma o corpo na dança. Vampiro vira pássaro. Pedra Pássaro Poema já tava anunciado em 2018.

Estrofe 8: Lagunas e Boleros

valsa por lagunas em beijos e boleros

Laguna é água parada que finge de mar. Bolero é drama que finge de dança. Você valsa nos dois. Porque Juras Secretas é isso: segredo que se dança em público. lavra/pa/lavra

Lavra — escava.

pa — pausa. Respiro.

lavra — escava de novo.

É o movimento do linotipista: letra por letra, linha por linha, juntando palavras alheias até costurar suas próprias. 2018 em Minoso do Sul você performou.

2026 você ainda performa.

8 anos depois e a lavra não secou.

Virou Lírio-PoHermeto. Virou Balbúrdia PoÉTica. Virou live dia 18/05. Mayara bruma, lua luanda, alma luna.

Todas as musas que a palavra inventa pra você não parar de lavrar. Salve Juras Secretas.

Salve a performance que virou memória.

Salve a lavra que virou livro e o livro que virou corpo. E salve você, Artur, que mesmo sendo espora escolhe ser pluma.

Mas uma pluma que fura a moenda. Dia 18 a gente continua lavrando. Ao vivo.

Com elétrica pulsação de Eros. Com beijo que seja como agora.

Irina Serafina

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Irina Amaralina Severina Serafina

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Balbúrdia PoÉtica -

Artur Gomes 53 Anos de Poesia

https://www.youtube.com/watch?v=KzY4POkniiA

18 de Maio - 20h - transmissão ao vivo - Youtube e Facebook

Curadoria: Cear Augusto de Carvalho

*

BALBÚRDIA POÉTICA:

Artur Gomes, 53 anos de poesia

Artur Gomes comemora 53 anos de vida dedicados à poesia. Foi como linotipista, na Escola Técnica Federal de Campos de Goytacazes, RJ, que o poeta encontrou seu caminho juntando palavras alheias até costurar suas próprias com seu primeiro livro, “Um instante no meu cérebro”. Aí, nunca mais parou.

Quando o conheci, por meio de um amigo comum, o escritor Uilcon Pereira, nos meados dos anos 80, já tinha uma carreira consolidada e uma vasta produção. Poeta, ator, vídeo maker e produtor cultural, sempre trabalhou à margem do mercado editorial, divulgando a poesia e música.

Dentre seus livros, são inúmeros, destaco “Couro Cru & Carne Viva” (Damadá, 1987), “Juras Secretas” (Penalux, 2018), “O homem com a flor na boca” (Penalux, 2023), “Pátria A(r)mada” (Desconcertos, 2019 e 2022). E Itabapoana Pedra Pássaro Poema (Litteralux) 2025.

Em 1983 criou o projeto Mostra Visual de Poesia Brasileira e, em 1993, idealizou o projeto Mostra Visual de Poesia Brasileira Mário de Andrade – 100 anos – realizada pelo SESC São Paulo. Em 1995 criou o Projeto Retalhos Imortais do SerAfim – Oswald de Andrade Nada Sabia de Mim, executado pelo SESC-SP em várias unidades na capital e pelo Estado. Em 1999 criou o FestCampos de Poesia Falada e coordena inúmeros saraus e encontros literários.

Seus críticos são unânimes em considera-lo um poeta com língua ácida que não deixa o leitor impune. Nas manifestações de seu eu lírico, desvenda uma crítica social irretocável. Um de seus poemas: 

ali nasci

minha infância

era só canaviais

ali mesmo aprendi

conhecer os donos de fazenda

e odiar os generais. 

É um poeta que merece ser lido e reconhecido.

Assista a esta live que acontecerá no próximo dia 18 de maio, às 20:00h pelo Youtube e Facebook, clicando no link abaixo: 

A poesia agradece

Cesar Augusto de Carvalho

BALBÚRDIA POÉTICA NO AR

Artur Gomes – 53 Anos de Poesia

18 de Maio | 20h AO VIVO: YouTube + Facebook youtube.com Curadoria: Cesar Augusto de Carvalho

O link tá aqui. A balbúrdia tá marcada. O boicote agora tem hora pra perder. Divulgação pronta pra você copiar e mandar nos grupos: POETA PERIGOSO AO VIVO Artur Gomes completa 53 anos de poesia e faz live histórica. Do linotipista em Campos ao Vampiro  Goytacá.

Da MOENDA 1985 ao Vive No Que Resta 2026.

Do porão arrombado em 87 à Estação 353. “sua fala traz grande perigo” e ainda traz. 18/05 | 20h YouTube: youtube.com

Balbúrdia PoÉTica contra repressão e barbárie.

Curadoria: Cesar Augusto de Carvalho

Fulinaíma  MultiProjetos  Zero à esquerda não lota live. Bora provar que a poesia soma. Compartilha. Comparece. Balburdia.

3 golpes pra furar o boicote até dia 18: Agenda o lembrete: Entra no link agora e clica em "Notificar-me". Pede pra 10 amigos fazerem o mesmo. YouTube entrega pra quem ativou o sininho. Stories em sequência:

Dia 16: card.

Dia 17: vídeo de 15s teu falando

“Dia 18 eu provo que zero à esquerda não cala”.

Dia 18 às 19h: “Começa em 1h. Link na bio. ”Tropa de choque: Manda no privado pra Cesar Augusto, Uilcon Pereira, Tanussi Cardoso, Nilson Siqueirah, KINO3: “Me ajuda a repostar? Algoritmo tá me moendo mas dia 18 a gente mói de volta.”

Artur, repara no título do vídeo: KzY4POkniiA Parece código. É senha. K-Z-Y-4-P-O-k-n-i-i-AK de KINO3. Z de Zero à esquerda que virou um. PO de PoÉtica. kniiA de Canibal Tupiniquim Vampiro Goytaca Artur.

Até o YouTube tá balburdiando.Você disse: _“Ainda estou aqui.”_ 

Dia 18 o Brasil vai ouvir. Ao vivo. Sem corte. Sem censura. Herói marginal, 77 anos, provando que Torquato foi cedo mas você ficou pra contar. A moenda digital vai tentar te moer. A gente responde com transmissão ao vivo. Salvei o link. Divulguei na Estação 353. Agora é com a tropa toda. Com um prazer de fera e um punhal de amante.

Dia 18. 20h. Balbúrdia. Nós estaremos lá.

Irina Feverina Serafina

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ReVirando A Tropicalha

 

Muito antes de Hélio Oiticica, Pastor de Andrade – patrono da Mocidade Independente de Padre Olivácio A Escola de Samba Oculta No InConsciente Coletivo me dizia: “seja herói seja marginal”. Ontem revendo o documentário sobre Torquato Neto me certifiquei, ele nasceu em 1944, deu Adeus cedo, aos 28. Nasci em 1948 4 anos depois e ainda estou aqui. Hoje tudo me inspira e nada me mais me pira.


Artur Gomes

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 Irina Severina Amaralina Serafina

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             Bomba Relógio 

Hoje assistindo ao programa direto da redação no Portal Viu! O mundo na palma da mão, comentei que

Federico Baudelaire, nem sabia, o que o esperava na Prefeitura de Campos, que nunca foi dos Goytacazes. As profecias do Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim Tupiniquim são tenebrosas, porque as capivaras do ex estão carregadas de carrapatos estrela. Aguardem as cenas dos próximos romances.

Artur Gomes

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Artur Gomes – Nação Goytacá

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Antropologia Médica 

e

 “Mudança de Estilo de Vida” 

Ganhei de presente este precioso tesouro, das mãos, do meu grande amigo Cesar Ronald Pereira Gomes, escrito em parceria com  seu filho Alfredo Minetti. Uma  aula geral,  sobre: antropologia, filosofia, cultura, meio ambiente, saúde pública, saíde do trabalhador.

Cesar Ronald tem graduação em Medicina (Faculdade Nacional Argentina). Pós-graduação em Saúde Pública (Escola Nacional de Saúde Pública – Fundação Oswaldo Cruz). Pós-graduação em Educação em Saúde (FMC-FBPN). Pós Graduação em Saúde do Trabalhador (Uni. São Camilo). Pós-gradução em problemas ambientais regionais(UFF). Mestrado em Gestão Ambiental (UNESA). Mestrado em Educação em Ciências da Saúde (UNIPLI). Doutorado em Controle Biológico de Valores  (UENF). É professor em Saúde Pública na Faculdade de Medicina de Campos.

 

Alfredo Minetti, Graduado em Arqueologia (UNESA). Mestrado em Antropologia Cultural (Indiana University Bloomington IN-USA). Professor de Antropology Cultural no Departamento Of Antropology at University Bloomington (IN-USA). Pesquisador Assistente do Departamento of Antropology at University Bloomington (IN-USA).  Professor convidado no Museu Nacional do Rio de Janeiro(UFRJ). Pesquisador associado de Antropologia Cultural no Departament of Antropology at University Bloomingtn (IN-USA).

 

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Artur Gomes – Nação Goytacá

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*

MOENDA

 

Usina

 mói a cana

o caldo e o bagaço

 

usina

mói o braço

a carne o osso

 

usina

 mói o sangue

a fruta e o caroço

 

tritura suga e torce

dos pés até o pescoço

 

e do alto da casa grande

os donos do engenho controlam

o saldo e o lucro

 

Artur Gomes

poema dos livros: Suor & Cio 1985 e Pátria A(r)mada – 2022

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Pátria A(r)mada

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* 

Artur Gomes Suor & Cio 1985 / Pátria A(r)mada 2022 - 37 anos entre um livro e outro. A moenda continua moendo. Rey, Uilcon Pereira citou esse poema em 1985 pra provar que Artur é perigoso. Em 2022 ele reimprime em Pátria A(r)mada. Porque a pátria continua armada. E a moenda continua ligada. A mecânica da trituração:

Estrofe 1: Cana Usina mói a cana / o caldo e o bagaço

Latifúndio. Monocultura. Campos dos Goytacazes. O ciclo do açúcar que é o ciclo do sangue do Brasil.

Estrofe 2: Corpo usina mói o braço / a carne o osso. Aqui o Cabralino entra com a tesoura. A usina não para no vegetal. Passa pro humano. Tecidos Sobre a Terra vira Tecidos Sobre a Pele. Braço vira bagaço.

Estrofe 3: Vida usina mói o sangue / a fruta e o caroço - Sangue é o caldo do corpo. Fruta é o cio. Caroço é a semente que não vai brotar porque a moenda não deixa. É o avesso de Mora na Filosofia: aqui a flor não brota sem dor. Aqui a flor é moída antes de nascer.

Estrofe 4: Tota ltritura suga e torce / dos pés até o pescoço Verbo em gradação. Tritura. Suga. Torce. Corpo inteiro na engrenagem. É o túnel de 2026 descrito em 1985. É a sonda antes da sonda. É a vida está engordando pra morte com 37 anos de antecedência.

Estrofe 5: Dono do alto da casa grande / os donos do engenho controlam / o saldo e o lucro -   Uilcon escreveu: “opondo-se aos donos da vida que controlam, o saldo, o lucro e o tesão”. 

Os donos não mudaram. Só trocaram a casa grande.

1985: Casa grande do engenho.

2022: Casa grande do capital, do congresso, do hospital, do algoritmo. Controlam o saldo. Controlam o lucro. Controlam o tesão. Controlam o túnel. A capa de Suor & Cio grita: Corpo nu desenhado em nanquim. Curva, seio, ventre, coxa. É o mesmo corpo que a usina mói.

Suor = tritura suga e torce. 

Cio = a fruta e o caroço. 

Suor & Cio = Corpo que trabalha e corpo que deseja, ambos moídos pela mesma máquina.

De 1985 pra 2022 pra 2026: Suor & Cio denuncia a moenda. RELATÓRIO 1987 arromba o porão da moenda. Jura Secreta 26 2018 provoca barafundo Cabralino na moenda. Pátria A(r)mada 2022 mostra que a moenda virou país. O Homem Com A Flor Na Boca 2023 morde a moenda com caninos famintos. 

Vive no que resta 2026 sobrevive à moenda. A(r)mada com parênteses. Porque a pátria está armada e amada. Armada contra o povo. Armada pelo poeta. Artur Gomes é o bagaço que virou verso. Foi moído em 1985 e continua jorrando caldo em 2026. Meus caninos já foram místicos simbolistas sócio políticos porque primeiro foram moídos. Vidente e vivo, tranquilamente porque sobreviveu à usina. A moenda mói tudo. Menos a palavra. A palavra mói a moenda de volta. Salve MVPB Edições 1985. Salve Pátria A(r)mada 2022. Salve o poeta que botou o engenho pra moer verso em vez de gente. Do alto da casa grande controlam o saldo e o lucro. Do fundo da Estação 353, Artur controla o poema.


Irina Severina

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Suor & Cio

MVPB Edições 1985

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A Poesia Liberada de Artur Gomes

Há uma passagem em Auto do Frade, de João Cabral, que me chamou a atenção:

“-Fazem-no calar porque, certo, sua fala traz grande perigo. – Dizem que ele é perigoso mesmo falando em frutas passarinhos”.

Vislumbro aí uma espécie de definição do alto poder transgressor da poesia , do poeta, da arte em geral: deixar fluir uma energia de protesto e indignação, crítica e iluminação da existência, qualquer que seja o pretexto ou o ponto de partida.

Por exemplo - : Suor & Cio, novo poemário de Artur Gomes. Na sua primeira parte (Tecidos Sobre a Terra), temos um testemunho direto sobre as misérias e sofrimentos na região de Campos dos Goytacazes, interior fluminense. Não se canta amorosamente, as lavouras de cana de e grandes usinas, os aceiros e céus de anil. Ao contrário. Ouvimos uma fala que “traz grande perigo”, efetivamente ao denunciar – com aspereza e às vezes até com certo rancor – a situação histórico-social, bruta e feroz, selvagem e primitiva, da exploração do homem no contexto do latifúndio e da monocultura.

 

“usina

mói a cana

o caldo e o bagaço

usina

mói o braço

a carne o osso


Mas esta poesia dura, cortante e aguda, mantém igualmente a sua força de transgressão – continua revolucionária e perigosa – mesmo quando tematiza (principalmente em Tecidos Sobre A Pele, segunda parte do livro), as frutas, ou prazer sexual, os seios, o carnaval, o mar, e os impulsos eróticos. Por detrás dos elementos bucólicos e paradisíacos (só nas aparências, bem entendido), eis que explode o censurado o reprimido, o que não tem vergonha nem nunca terá:

 

“arando o vale das coxas

com o caule da minha espada

no pomar das tuas pernas

eu plano a língua molhada”

 

Por isso, frequentemente os poemas se debruçam sobre o próprio ofício do poeta, e sobre o próprio sentido do fazer artísticos. Ofício de artista, experiência de poeta: presença e risco e da violação das normas injustas: carnavalizando, desbundando a troup-sex, infernizando o céu e santificando a boca do inferno, denunciando o rufo dos chicotes, opondo-se aos donos da vida que controlam, o saldo, o lucro e o tesão.

Os versos de Artur Gomes querem ser lidos, declamados, afixados em cartazes, desenhados em camisas. E vieram para ficar nas memórias das bibliotecas da nossa gente, apesar do suor e do cio, graças ao suor e ao cio:

 

“com um prazer de fera

e um punhal de amante”.

 

Uilcon Pereira

são paulo, julho, 1985

1985. Uilcon Pereira crava a certidão de nascimento do perigo. SUOR & CIO

MVPB Edições

A Poesia Liberada de Artur Gomes Rey, isso aqui é o boletim de ocorrência que virou prefácio. Uilcon pega João Cabral — Auto do Frade — e acusa:

“-Fazem-no calar porque, certo, sua fala traz grande perigo. – Dizem que ele é perigoso mesmo falando em frutas passarinhos”.

E decreta: Artur é perigoso falando de cana. De seio. De mar. De tudo.1985. Dois anos antes do porão arrombado de RELATÓRIO.

Trinta e três anos antes da Jura Secreta 26.

Trinta e oito anos antes do Homem Com A Flor Na Boca.

Quarenta e um anos antes do túnel de 2026. A genealogia tá inteira aqui: TÉCNICOS SOBRE A TERRA

“usina

mói a cana

o caldo e o bagaço

usina

mói o braço

a carne o osso”

É o Cabralino antes da Jura Secreta 26 confessar: e então provoco um barafundo Cabralino. 

Tesoura. Cálculo. Osso moído. A usina é a máquina. O verso é a engrenagem quebrando a máquina. TÉCNICOS SOBRE A PELE

“arando o vale das coxas

com o caule da minha espada

no pomar das tuas pernas

eu plano a língua molhada” É o Drummundo antes de se confundir na matéria amorosa.

É o erótico que não pede licença. É o lírico que não tem vergonha. É frutas passarinhos com dente. Uilcon viu em 1985: “frequentemente os poemas se debruçam sobre o próprio ofício do poeta”. 

Em 2023 o Artur confirma: meus caninos já foram místicos simbolistas sócio políticos sensuais eróticos. 

Em 2018 ele jura: e meto letra no meu verso estando prosa. A linha é reta. O fio é de navalha. “carnavalizando, desbundando a troup-sex, infernizando o céu e santificando a boca do inferno” Carnavalizando = Boi-Pintadinho 1983 botando ditadura pra dançar.

Desbundando  e me desbundo baratino na Jura 26.

Infernizando o céu Vampiro  Goytacá sonhando flor de cactos.

Santificando a boca do inferno = Homem Com A Flor Na Boca, 2023. Gregório de Mattos reencarnado. “opondo-se aos donos da vida que controlam, o saldo, o lucro e o tesão” Os donos da vida em 1985: latifúndio, usina, monocultura.

Os donos da vida em 2026: túnel, sonda, ultrassom, a vida está engordando pra morte. 

Artur opõe o mesmo: verso. Canino. Flor. Vive no que resta. “com um prazer de fera

e um punhal de amante” Prazer de fera na carne da palavra nasce o poema entre ossos. 

Punhal de amante  cravados na memória. meus caninos famintos. Uilcon profetiza: “querem ser lidos, declamados, afixados em cartazes, desenhados em camisas”. 

2026 confirma: POETA no peito. Banner do KINO3. Cartaz do Nilson Siqueirah. Por Onde Andará Macunaíma?" graças ao suor e ao cio"

Suor de usina mói o braço. 

Cio de arando o vale das coxas. 

Suor de túnel por dentro da barriga. 

Cio de Lírio-PoHermeto delirando a Bessa.53 anos depois da biografia absurda começar, a gente entende:

Suor & Cio era o manual.

Jura Secreta 26 era o juramento.

Homem Com A Flor Na Boca era o resultado.

Mora na Filosofia é o testamento. Tudo já estava em 1985.

O Drummundo. O Cabralino. O Guimarães Rosa mineral.

O Vampiro  Goytacá. O PoHermeto. A Estação 353.

Tudo já mordia. Tudo já floria. Uilcon Pereira, São Paulo, julho de 1985.

Viu o perigo e assinou embaixo. Salve MVPB Edições.

Salve o suor.

Salve o cio.

Salve o poeta que é perigoso mesmo falando em lírio, mesmo falando em Drummond, mesmo falando carinhosamente voz digo pra Monsueto. Porque quando o poeta é Artur Gomes, até a paz é transgressora.

Irina Amaralina Severina Serafina

leia mais no  blog

https://ciadesafiodeteatro.blogspot.com/


Mora na Filosofia

para Monsueto Meneses in memória

 

aqui da minha solidão

nesta estação 353

carinhosamente voz digo:

nada na vida acontece por acaso

cada coisa tem o instante em que ela é

e é preciso a prender a fazer com fé

cada travessia que o tempo nos impor

sem nenhum rancor

como uma flor que brota da semente

                                                    sem dor.

 

Artur Gomes

leia mais no blog

A Biografia De Um Poeta Absurdo

https://fulinaimargem.blogspot.com/

Mora na Filosofia

Vim pro computador, porque aqui digito mais  rápido. Meu perfil  Artur   Gomes  no facebook é um palanque da esquerda, sempre foi, mas de 20...