segunda-feira, 25 de abril de 2022

Porque Hoje é Segunda e Tem Canal do Poetariado


O COISA RUIM

me querem manso
cordeiro
imaculado
sangrado
no festim dos canibais

me querem escravo
ordeiro
serviçal
salário apertado no bolso
cego mudo e boçal

me querem rato
acuado
rabo entre as pernas
medroso
um verme, pegajoso

mas eu sou osso
duro de roer
caroço
faca no pescoço
maremoto, tufão, furacão
mas eu sou cão

lato
mordo
arreganho os dentes
incito a revolta dos deuses
toco fogo na cidade

qual nero

devasto o lero lero
entro em campo
desempato
eu sou o que sangra
um poeta nato

Ademir Assunção
do livro Zona Branca (2001) 


AGOSTO À CONTRAGOSTO

 

O tempo nos tece uma veste

E muito custa esse imposto

Pois lento nos dá outro susto

Gastou-se mais um agosto

 

Posto que vasto é o tempo

E visto que nos é imposto

Viver só um tempo sucinto

Numa sina à contragosto

 

E a soma insana dos anos

Aos poucos sela um desgosto

No raso espaço do espelho

O tempo esculpe seu rosto

 

Tchello d`Barros


o negro do céu

abrilhanta a lua
ai, que frio!

em meus sonhos
o telefone toca
acordo.

a lua no céu
estrelas cintilam
oh, insônia

a lua sumiu
o céu escureceu
nada aconteceu

Cesar Augusto de Carvalho
do livro Curto Circuito
Editora Patuá - 2019
www.editorapautua.com.br


cheguei ao céu

diz o pinheiro

eu sempre quis

mas

o meu lugar

é a raíz

 

Hamilton Faria

Poemas da janela

 



                                                   poesia fulinaimargem

             arte revolução

não gosto de panelinha

mas adoro um caldeirão

 

Federico Baudelaire

www.fulinaimargem.blogspot.com



Canal do Poetariado

Segunda Feira 25/4 – 20h

Hoje estarei no Canal do poetariado pilotado por Cesar Augusto de Carvalho e Hamilton Faria, falando de vida arte poesia. Estarão também conosco dois parceiros de jornada: Tchell0 d´Barros que falará sobre a minha poética fulinaímica e Ademir Assunção que homenageará meu autor escolhido Oswald de Andrade

Bora lá

Agende-se.

Clique no link:

https://youtu.be/qyCSwzGZ9lk

 



Fulinaimicamente – TransPoÉticas

Coletânea Poetas Vivos – Joaquim Branco + Noélia Ribeiro + Nic Cardeal + Dalila Teles Veras + Artur Gomes + Lau Siqueira + Edelson Nagues

 Leia mais no blog

https://fulinaimicamente.blogspot.com



Biblioteca Bracutaia

Inauguração dia 1º de Maio – 17h

 

16 Abril – 2022 - levamos a primeira leva de livros do acervo particular de Artur Gomes, e começamos a catalogar os que foram doados por Ilzomar Soares, para a Biblioteca Bracutaia que será inaugurada dia 1º de Maio, na Ong Beija Flor - Casa da Solidariedade - além de acompanhar o trabalho de instalação dos equipamentos na sala destinada as Oficinas de Arte -

 

23 Abril – 2022 mais doações chegando, nesta leva livros que foram doados pelos queridos amigos amigos Rubens Jardim (São Paulo), José Gil (Campos dos Goytacazes), César Ronald (Campos dos Goytacazes) e alguns do acervo particular de Artur Gomes. Lembrando que a inauguração será no dia 1º de Maio às 17h

 ONG Beija Flor - Casa da Solidariedade - Rua Ari Parreira, 26 - Barra Velha - Gargaú - São Francisco do Itabapoana-RJ - 28230-000



Cia Desafio De Teatro

convidamos você para vir conosco nesta jornada. Pretendemos com a criação deste grupo de teatro, desenvolver encenações com o foco na cultura popular, e para tal, estamos pensando na criação do Bumba Meu Boi Macunaíma Bracutaia e a cada último sábado de cada mês, a partir de Maio, realizarmos o Sarau Bracutaico, como parte do projeto de Arte Cultura na ONG Beija Flor - Casa da Solidariedade em Gargaú.





Fulinaíma MultiProjetos

www.centrodeartefulinaima.blogspot.com

domingo, 24 de abril de 2022

pássaros elétricos vivem a vida por um fio


overdose nu vermelho

 

retesar as cores

e os músculos

com os dentes agarrados no pincel

 

se faltar carne

para roçar os óvulos

a gente jorra tinta no papel



tropicalha

 

VENDO a lua leviana

no império das bananas

 

papagaios periquitos

graviolas

 

a fruta eu chupo morena

semente eu plano cigana

 

na selva pernambucana

nossa língua deita e rola

 

Artur Gomes

Couro Cru & Carne Viva- 1987

www.suorecio.blogspot.com



poesia

saudade dessa moça bonita

                           na fotografia

 

Artur Fulinaíma

www.arturfulinaima.blogspot.com




a travessia vou fazendo

no inverso

entre os lábios da tua boca

e as letras do teu verso

 

além de tudo meu olho foca

meu olho toca meu olho vê

tudo aquilo que você não lê

 

Rúbia Querubim

www.porradalirica.blogspot.com




                                                 o cu do mundo onde fica?

minha língua afiada

onde enfiá-la?

fulinaimagem

metáfora nua na janela

meter a língua na linguagem dela

 

despir a musa

rasgar o vestido

a calça a blusa

despetalá-la

deixá-la lua

em carne viva nua e crua

 

palácio do planalto alvorada

o cu profundo o submundo

cu do boi

de um país que foi

 

contei duas estrelas

do outro lado do muro

uma era baudelaire

a outra luiz melodia

se eu fosse zeca baleiro

bolero blues cantaria

 

Artur Gomes

www.fulinaimagembaudelerico.blogspot.com




A poesia liberada de Artur Gomes

Por Uilcon Pereira

Leia mais no blog

www.fulinaimacentrodearte.blogspot.com




A

travessia no inverso do meu tempo

sem lenço sem documento

janelas abertas ao vento

 

o poema freudelérico

não tem nada de pessoa

na vitrola rola um demônios da garoa

e o poema mete a língua

no avesso da linguagem

rasga os tecidos da mortalha

assombrado com o verbo desemprego

afia ainda mais a carnavalha

com sua faca de dois gumes

no descompasso do desassossego

 

Federico Baudelaire

www.personasarturianas.blospot.com




Mostra Cine Vídeo Curtas

Cinema Ambiental – Inscrições abertas

Veja aqui https://centrodeartefulinaima.blogspot.com/2022/04/mostra-cine-curtas-cinema-ambiental.html

Mais  Informações pelo e-mail fulinaima@gmail.com

 catadores de marisco

filmado em Guarapari

com trilha sonora de Madan

sobre poema de Haroldo de Campos

FULINAÍMA MultriProjetos

Direção: Artur Gomes

https://www.facebook.com/studiofulinaima/videos/1353003141461269/?hc_ref=PAGES_TIMELINE

 

 


 ENCOBRIMENTO - Wilson Coêlho

 

Naquele 22 de abril se inaugura, deitando

raízes na até então, virgem

terra de homens livres, a era

da chamada modernidade.

 

Descoberta de outro rincão, onde

plantar domínio, pelas poderosas

graças do deus cristão, arcabuzes

ferro e fogo.

 

Na batizada Pau-Brasil, o outro

não existia como alteridade, apenas

como uma extensão, européia

em si mesma.

 

Paraíso de mulheres nuas, possíveis

escravos, ouro e prata, abundantes

para o sustendo da Coroa Real, portuguesa

e divina como a Santa Igreja.

 

Era o caminho das Índias, dizia a bússola

conselheira dos perdidos do mar, cartográficas

e sobretudo sagradas, escrituras.

 

522 anos se passaram, e nada se passou

a limpo, no itinerário das bandeiras

dos bandeirantes que, até hoje, em nossos

quintais fincam seus mastros e definem

posses sobre as cabeças dos despossuídos.

 

Wilson Coêlho


Os bichos e os homens

para Márcio Faraco

 

Parte de nós anda a mugir

triste quando mastiga

o capim contaminado

o milho podre da espiga.

 

Outra segue relinchando

na calmaria das rédeas

a dor da espora, seu lanho

na caminhada de léguas.

 

mas nada mais me comove

que o balido lacrimoso

de meninos e meninas

sobre o campo calcinado

de um futuro que se finda

e nem bem foi começado.

 

Você não vê, sequer percebe

que raramente me engano

quando digo, pesaroso,

que a alegria do rebanho

é quando o lobo medonho

come a ovelha do lado.

 

Parte de nós ajoelha e reza

pondera o cão e o gatilho

mas abençoa o disparo

em nome do pai e do filho.

 

Outra se esconde e faz prece

foge assoprando o rastilho

que queima e lhe persegue

sempre esperando o estampido.

 

Há os que somos rescaldo

daquilo que não mais serve

seguimos estupefatos

minada a nossa verve

pois vemos que a alegria

do rebanho é quando o lobo

nos vendo assim de soslaio

nos deixa pra outro dia

e come a ovelha do lado.

 

Leonardo Almeida Filho

 13 abril 2022




Fulinaíma MultiProjetos

www.centrodeartefulinaima.blogspot.com

Ainda Estamos Aqui

poema a(r)mado   todo os dias capino a esperança escavando outras palavras no chão desse quintal   e quando escrevo com enxada              ...