sábado, 12 de março de 2022

minhas primeiras parcerias com Paulo Ciranda

 



Minhas primeiras parcerias com Paulo Ciranda, criadas durante os anos de 1970, época em que várias cidades do Estado do Rio de Janeiro realizamos Festivais de Música.  

 

Caminho da Paz vencedora do Festival de Música de São Fidélis-RJ - 1974

 

CAMINHO DA PAZ      

   (Artur Gomes/Paulo Ciranda)

 

 

lá por onde vim, o sol nasceu

e a sua luz, foi quem me aqueceu

lá a luz da noite era manhã

toda claridade era mente sã

 

as estrelas, as estrelas

deram bênção sobre mim

as estrelas, as estrelas

eram versos de onde vim

 

sim, quando criança, lá me perdeu

uma doce mão, lá me esqueceu

e hoje eu me encontro vendo crescer

assim eu me entendo, quando a escrever

 

as estrelas, as estrelas

são leituras que encontrei

navegantes criaturas

nos seus versos caminhei

 

e hoje sei que o poeta já escreveu

e sendo o poeta, nunca esqueceu

o amor de quem tanto é capaz

e eu sei do caminho que é minha paz

 

as estrelas, as estrelas

são leituras que guardei

e hoje mesmo, nas estrelas

e no amor me conquistei






Artur Gomes

www.suorecio.blogspot.com

sexta-feira, 11 de março de 2022

Juras Secretas em Alta Voltagem

 



Juras secretas em alta voltagem

Por Krishnamurti Góes dos Anjos

 

Poeta maldito é termo utilizado para referir poetas que constroem uma obra “rebelde” mesmo em face do que é aceito pela sociedade, considerada como meio alienante e que aprisiona os indivíduos nas suas normas e regras. Rejeitam explicitamente regras e cânones. Rejeição que se manifesta-se também, geralmente, com a recusa em pertencer a qualquer ideologia instituída.

 

A desobediência, enquanto conceito moral exemplificado no mito de Antígona é uma das características dos poetas malditos. Filiam-se a essa tradição nomes (com as variantes óbvias de estilo e época) como os de Gregório de Mattos, Augusto dos Anjos, Paulo Leminski, Álvares de Azevedo, Jorge Mautner, Waly Salomão dentre outros, sem falar no trio mais conhecido mundialmente da “parafernália” poética: Verlaine, Baudelaire e Rimbaud.

 

O ator, produtor, videomaker e agitador cultural que é Artur Gomes acaba de lançar “Juras secretas”, reunião de 100 poemas a maior parte deles sobejando a temática do amor visto na perspectiva de paixão avassaladora. Mas há também, aqui e ali a presença, sempre em perspectiva ousada e radical, de poemas que vão do doce e suave sentido do amor, ao cruel, do libidinoso, à poesia de cunho social sempre expressando indignação, desobediência e transgressão. Com efeito o homem é uma metralhadora giratória a espalhar e espelhar aquilo, que nos vai por dentro e que guardamos em “segredo” de estado. Com a palavra o poeta:

 

Jura de número 34

porque te amo / e amor não tem pele / nome ou sobrenome / não adianta chamar / que ele não vem / quando se quer / porque tem seus próprios códigos / e segredos/mas não tenha medo / pode sangrar pode doer / e ferir fundo / mas é a razão de estar no mundo / nem que seja por segundo / por um beijo mesmo breve / por que te amo / no sol no sal no mar na neve


Jura 63

não sei se escrevo tanto / não sei se escrevo tenso / um fio elétrico suspenso / com tanta coisa no Ar / não sei se olho em teu olho / para encontrar a entrada / da porta da tua casa / onde a palavra estiver / não sei se pinto um Van Gogh / ou escrevo um Baudelaire


Jura 69

há muito tempo / não morro mais aqui / minha cidade é desbotada / há muito perdeu o brilho / na minha voracidade o sol é claro / e a arte que preparo / é o tiro que disparo / é a arma que engatilho.

 

Jura 70

meto meus dedos cínicos / no teu corpo em fossa / proclamando o que ainda possa / vir a ser surpresa / porque meu amor não tem essa / de cumer na mesa / é caçador e caça mastigando na floresta / todo tesão que resta desta desta pátria indefesa / ponho meus dedos cínicos / sobre tuas costas / vou lambendo bostas / destas botas neo burguesas / porque meu amor não tem essa / de vir a ser surpresa / é língua suja e grossa / visceral ilesa / pra lamber tudo que possa / vomitar na mesa / e me livrar da míngua / desta língua portuguesa.

 

Com efeito, forçoso concordar com Tanussi Cardoso, em Posfácio ao livro, que a poesia de Artur Gomes é “uma poesia do livre desejo e do desejo livre. Nela, não há espaço para o silêncio: é berro, uivo, canto e dor. Pulsão. Textura de vida. Uma poesia que arde (em) seu rio de palavras”.

 

Artur Gomes

Juras Secretas

Editora Penalux – 2018

Leia mais em www.secretasjuras.blogspot.com




Nação Goytacá

www.fulinaimargem.blogspot.com  

quarta-feira, 9 de março de 2022

com os dentes cravados na memória

 



no início da pesquisa chegamos a ter quase certeza que o personagem era Gina Rueles e o autor Fernando Leite, porque quando o Boi Pintadinho entrou no mercado municipal começou o alvoroço com Ferrugem enfrentando os feirantes com um pedaço de pau que arrancou de uma barraca e o Boi saiu louca disparada pela beira-valão e só foi parar em frente a antiga câmara de vereadores na esquinada Av. Alberto Torres Amauri Joviano entrou no bar mais próximo pediu água como não tinha bebeu água-ardente mesmo. depois de serenado os ânimo fomos parar na livraria noblesse, o saudoso Adilson Rangel, nos alojou no recinto com Boi e tudo, e foi uma tarde de muita cerveja queijos e vinhos. na correria do Boi - Gina foi atropelada por uma carroça de burro. depois de medicada no pronto-socorro mais próximo foi nos encontrar na noblesse – onde padre Fernando Rifan não cansava de urrar do outro lado da rua: “cambada de comunistas!”

 

Artur Gomes

com os dentes cravados na memória

www.fulinaimargem.blogspot.com





quando o prazo determinado

para entrega do trabalho estava terminando

e não tínhamos uma definição plena

nem do autor nem do personagem

a saída foi enveredarmos pela ficção

o que não deixou satisfeitos os componentes

da banca examinadora:  Orávio de Campos Soares, Hélio de Fretas Coelho e Raquel Fernandes. como nos vestígios que pudemos

que pudemos averiguar que o personagem

poderia ser um grande corrupto

que teria feito  carreira fazendo falsas

promessas para o povo do mercado

acabamos convencendo os mestres

que Brasília é muito distante

e que o personagem tinha fugido para lá

daí nossos argumentos foram aceitos

e o mercado municipal se transformou

em nossa ficção no planalto central

onde Godot possivelmente  teria se instalado

na câmara dos deputados como um aspone

qualquer desses tantos que existem por lá

 

Artur Fulinaíma

www.personasarturianas.blogspot.com





chegamos a ter quase certeza

que o personagem era Amauri Joviano

e o autor Adriano Moura mas toda vez

que nos   Boi Pintadinho

o bailarino entornava mis um copo

de cachaça com medo dos feirantes

que partiram para cima do Boi

por represália a sua dança sensualíssima

e provocante causando ofuror na feira municipal dos campos ex-dos Goytacazes

e assim nossa busca continuava sem ter fim

e como tínhamos que concluir o trabalho

com prazo determinado Evaristo Penha

foi o que mais se aproximou do alvo

que a nossa seta almejava alcançar

 

Artur Gomes Fulinaima

www.personasarturianas.blogspot.com






depois da nossa passagem

pelo mercado municipal

fiquem pensando quem poderia ser

o autor do personagem principal

ou mesmo o personagem do autor

que não entrou em cena

era uma comédia quase del´Art

uma pesquisa nos porões da cidade

onde todos eles habitavam o curral das éguas

mas não devia ter toques de ficção

teríamos que descobrir o autor e

o personagem na vida real

não foi fácil, todos se esquivavam

das perguntas quando encontrávamos

algum para EntreVistas assim mesmo

fomos traçando os perfis de todos

como se fossem eles mesmos

as personalidades que encontramos

 

Federico Baudelaire





ainda ontem acordei pensando

nos 6 autores em busca do personagem

que estudei para interpretar

lá pelos idos dos anos 2000 no Cefet

em Campos tudo é obscuro

tateava no escuro as passadas

dele no mercado municipal

mas era difícil encontrá-lo

montamos assim mesmo como se Godot

fosse o personagem que procurávamos

e como ele não vinha não esperamos

criamos a encenação mesmo avessa

ao propósito inicial que era encontrar

um personagem que fosse uma persona

com características da cidade

o mais próximo que encontramos

foi um caixeiro viajante de nome

Evaristo Penha, e assim ficou como se fosse

 

Rúbia Querubim

www.personasarturianas.blogspot.com




Artur Gomes - Juras Secretas



Jura Secreta 

não fosse essa jura secreta 
mesmo se fosse e eu não falasse 
com esse punhal de prata 
o sal sob o teu vestido 
o sangue no fluxo sagrado 
sem nenhum segredo 

esse relógio apontado pra lua 
não fosse essa jura secreta 
mesmo se fosse eu não dissesse 
essa ostra no mar das tuas pernas 
como um conto do Marquês de Sade 
no silêncio logo depois do susto 

 

 Jura secreta 1 


a língua escava entre os dentes 
a palavra nova 
fulinaimânica/sagarínica 
algumas vezes muito prosa 
outras vezes muito cínica 

tudo o que quero conhecer: 
a pele do teu nome 
a segunda pele o sobrenome 
no que posso no que quero 

a pele em flor a flor da pele 
a palavra dandi em corpo nua 
a língua em fogo a língua crua 
a língua nova a língua lua 

fulinaímica/sagaranagem 
palavra texto palavra imagem 
quando no céu da tua boca 
a língua viva se transmuta na viagem 


Jura secreta 2 

não fosse esse punhal de prata 
mesmo se fosse e eu não quisesse 
o sangue sob o teu vestido 
o sal no fluxo sagrado 
sem qualquer segredo 

esse rio das ostras 
entre tuas pernas 
o beijo no instante trágico 
a língua sem que ninguém soubesse 
no silêncio como susto mágico 
e esse relógio sádico 
como um Marquês de Sade 
quando é primavera 



fosse essa jura sagrada 
como uma boda de sangue 
às 5 horas da tarde 
a cara triste da morte 
faca de dois gumes 
naquela nova granada 
e Federico Garcia Lorca 
naquela noite de Espanha 
não escrevesse mais nada 

Jura secreta 15

leminskiAna 

o estado pode ser de choque 
ou quem sabe até de surto 
o soco pode ser no estômago 

a facada pra  ferir o fígado 
o bandido me assaltar na via 
o sangue explodir na veia 
a vodka só me dar azia 

todo instante que vier eu curto 
a palavra que pintar eu furto 
tudo o que eu faço é poesia. 

 

Artur Gomes

Juras Secretas

Editora Penalux – 2018

https://secretasjuras.blogspot.com/2021/10/o-poeta-enquanto-coisa.html

 



 para may pasquetti 


fosse esta menina Monalisa 
ou se não fosse apenas brisa 
diante da menina dos meus olhos 
com esse mar azul nos olhos teus 

não sei se MichelÂngelo 
Da Vinci Dalí ou Portinari

 te anteviram 
no instante maior da criação 

pintura de um arquiteto grego 
quem sabe até filha de Zeus 

e eu Narciso amante dos espelhos 
procuro um espelho em minha face 
para ver se os teus olhos 
já estão dentro dos meus 

 

Artur Gomes

Juras Secretas

Editora Penalux - 2018

www.secretasjuras.blogspot.com



Fulinaimicamente

TransPoÉticas

www.fulinaimicamente.blogspot.com


terça-feira, 8 de março de 2022

viagem

 


viagem

 

a navelouca

atravessou o pontal em atafona

com destino a barra

à procura de Godot

passou por gargaú santa clara

entrou no ariticum macuco

traçou um risco

no centro urbano são francisco

voltou ao mar

sonho sossego guaxindiba

manguinhos buena almontado

tatagiba guriri lagoa doce

chegou a barra

e não encontrou o personagem procurado

rompeu a quarta parede do espírito santo

e até agora não voltou

 

Federico Baudelaire

www.poeticasarturianas.blogspot.com

quarta-feira, 2 de março de 2022

Deusas de Marfim

 


           Deusas de Marfim

 

Minha primeira parceria com Paulo Ciranda. Deusas de Marfim foi inspirada em Angélica, minha primeira sereia que conheci no acampamento em Guaxindiba no carnaval de 1974. Nosso namoro fugaz acontecia nos bosques e florestas próximos ao acampamento. Tevesua primeira publicação no Jornal do Comércio, que era editado por Edgard Coelho dos Santos, pai do nosso querido amigo Hélio de Freitas Coelho.

 

DEUSAS DE MARFIM

 

ruas e florestas

estrelas incendiárias

bosques e serestas

luas imaginárias

 

ruas e florestas

céus inavegáveis

bosques e serestas

vozes inconsoláveis

 

cegas que não olharam

surdas que não ouviram

umas que enxotaram

outras que consumiram

 

ruas e florestas...

 

ecos que se fecharam

egos que emudeceram

janelas que não se abriram

portas que se bateram

 

ruas e florestas...

 

ouvidos que não ouviram

olhos que escureceram

bocas que não amaram

do amor se esconderam

 

ruas e florestas...

 

Artur Gomes/Paulo Ciranda / 1974

(Nos encontramos na rua 21 de abril e você me deu um recorte de jornal com esse poema, melodiei e assim começamos nossa parceria...

Abraços -  Ciranda)



Nação Goytacá

www.fulinaimargem.blogspot.com 

Fulinaimicamente - TransPoÉticas

 


Fulinaímicamente 

        TransPoÉticas

porque hoje é quarta e nem quis

saber de carnaval aqui nessa batalha

sem confete lança perfume serpentina

vendo os olhos da menina aflitos

por socorro no outro lado da esquina

 

Coletânea Poetas Vivos 

– alô poetas e poetas .Envie de 5 a 10 poemas de sua autoria pelo e-mail fulinaima@gmail.com uma foto e minibio aos cuidados da equipe de seleção da Fulinaíma MultiProjetos e venha conosco nessa viagem bordelírica fulinaimicamente TransPoÉtica.


 do som dessa palavra

nasce uma outra palavra

fulinaimicamente

no improviso do repente

nasce uma outra palavra

fulinaimicamente 


 Abraços e beijos

Artur Gomes

www.fulinaimagens.blogspot.com



 

Fulinaimicamente – TransPoÉticas

www.fulinaimicamente.blogspot.com

Balbúrdia PoÉtica - 23 de setembro

MOENDA   usina mói a cana o caldo e o bagaço   usina mói o braço a carne o osso   usina mói o sangue a fruta e o caroço   tritura suga torce...