domingo, 12 de março de 2023

Discípulo de Rimbaud

  

          discípulo de Rimbaud


minha tv pifou

nem tenho ido ao cinema

meu filme está  na carne da palavra

esse poema é trágico

me lembra infância lá na cacomanga

televisão nunca tivemos

era rádio de pilha depois de bateria

meu pai criava porcos

para vender na primavera

e complementar o seu salário

que nem o mínimo era

carteira de trabalho nunca teve

como administrador de uma fazenda

com mais de 1000 alqueires de terra

com produção agropecuária

canavieira e cerâmica industrial

esse é um poema em linha reta

nem sei por quê e para que

me tornei poeta discípulo de Rimbaud

talvez só para escrever

que no Brasil mesmo depois da Abolição

Escravidão nunca terminou

 

Artur Gomes

O Homem Com A Flor Na Boca

https://fulinaimatupiniquim.blogspot.com/


 

O Poeta é a Mãe das Armas

O Poeta é a mãe das armas
& das Artes em geral —
alô, poetas: poesia
no país do carnaval;
Alô, malucos: poesia
não tem nada a ver com os versos
dessa estação muito fria.

O Poeta é a mãe das Artes
& das armas em geral:
quem não inventa as maneiras
do corte no carnaval
(alô, malucos), é traidor
da poesia: não vale nada, lodal.

A poesia é o pai da ar-
timanha de sempre: quent
ura no forno quente
do lado de cá, no lar
das coisas malditíssimas;
alô poetas: poesia!
poesia poesia poesia poesia!

O poeta não se cuida ao ponto
de não se cuidar: quem for cortar meu cabelo
já sabe: não está cortando nada
além da MINHA bandeira ////////// =
sem aura nem baúra, sem nada mais pra contar.
Isso: ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. a
r: em primeiríssimo, o lugar.

poetemos pois

torquato neto /8/11/71 & sempre.


 

sábado, 11 de março de 2023

o homem com a flor na boca

 Porrada Lírica

 

soberano su-real insano

pedra no sapato eu sou do mato

curupira carrapato sou da febre

sou dos ossos sou da lira do delírio

todo Dia é Dia D toda hora todo Dia

Zeca Baleiro Raul  Seixas Mallarmè

Baudelaire Luiz Erundina Luiz Melodia

o melhor que faço é viver poesia

o resto  tudo mais   é perfumaria

 

Artur Gomes

O Homem Com A Flor Na Boca

50 Anos de Poesia

https://fulinaimatupiniquim.blogspot.com/


O Homem Com A Flor Na Boca

 

só durmo com  música instrumental

de mil novecentos e setenta e três

quero te dizer tudo o que não disse

em mil novecentos e novena e seis

levamos seis anos queimando letras

em papéis de cartas nunca me esqueci

frente a janela a contra-luz

no litoral das tuas costas tinha uma rosa vermelha

que até hoje trago em minha boca

 

Artur Gomes

O Homem Com A Flor Na Boca

www.fulinaimaimatupiniquim.blogspot.com

 



Teatro do Absurdo

 

O quarteto da hipotenusa

versus o quadrado do quarteto

da hipotenusa a musa do quadrado

fosse apenas o retrato na fotografia

mas não sendo hipotenusa

somente musa algaravia

uma palavra mais que estrada

sendo musa multi-via

me levou nessa jornada

para fora da Bahia

todos os santos mar aberto

no abismo a fantasia

de querer mus entretanto

muito mais que poesia 


e ela vai pintando

 o homem com a flor na boca

com seus pincéis de aquarela

poema que só é possível

pelas lentes dos olhos dela

 

na balada ou no bolero

nossas letras se entrelaçaram

pele corpo carne sangue pelos

poros entre tintas entre tantos

anos que  foram pintados

sobre papéis de cartas em fogo

sob o sol  chuva verão inverno

quando qualquer das estações

é primavera

 

e ela era uma estudante de arquitetura que pintou poemas no cachorro louco

e desenhou imagens em Brazilírica Pereira : A Traição das Metáforas 


Artur Gomes 

O Homem Com A Flor Na Boca 

https://fulinaimatupiniquim.blogspot.com/

terça-feira, 7 de março de 2023

múltiplas poéticas

 

 Hoje no Café da Manhã da FCJOL

tem poesia para Gabrielle

Quem mandou matar Marielle?

 

Terra

antes que alguém morra

escrevo prevendo a morte

arriscando a vida

antes que seja tarde

e que a língua da minha boca

não cubra mais tua ferida

 

Artur Gomes

Pátria A(r)mada

Desconcertos Editora – 2022

Leia mais no blog

www.fulinaimargem.blogspot.com


QUEM MANDOU MATAR MARIELLE?!

        Luís Turiba, do livro

do "Desacontecimentos"

 

há um dono

pra cada pedaço

de calçada

 

 

um gerente

pra controlar

quarteirão

 

são fronteiras

barreiras

valem nada

 

condomínios

na barra

casarões

 

galeras

e hordas

em guerrilhas

 

são tropas

comandos

são quadrilhas

 

são milícias

polícias 

sem treliças

 

são mandantes

estão de

fuzil na mão

 

de que lado

fico; isso

vai dar merda

 

mas eu

vou perguntar

quem me responde?

 

o juiz ministro

a pastora o bispo

quero saber?

 

quem mandou matar Marielle

quem mandou matar Marielle

 

não tem cara

não tem corpo

não tem osso

nem tem pele?

 

quem escraviza

a favela

quem apagou

Marighela?

 

 não se renda

não se esconda

não se encubra

nem se fira

 

não tem cana

nem xadrez

não tem vez

nem tem cela

 

quem mandou matar Marielle

quem mandou matar Marielle

 

não fui eu

mas sou ela

fomos nós

sou uma delas

 

onde está

o Amarildo?

quem fuzilou

Marielle?

 

quem criou esse mundo asco

quem é o mandante do carrasco?

 

Luis Turiba: No dia Internacional das Mulheres, continuo perguntando, cobrando, indagando, querendo saber: "Quem mandou matar Marielle?"



sábado, 4 de março de 2023

O Auto do Boi Macutraia

 

O Auto do Boi Macutraia

 

Era uma vez um Mangue 

e por onde andará Macunaíma?

na sua carne no seu sangue

na medula no seu osso 

será que ainda existe

algum vestígio de Macunaíma

na veia do  seu pescoço?


tá no rabo da sereia

tá no rabo da arraia?

Joilson Bessa   me disse

Kapi ducéu já ensaia

 Macunaíma  vem vindo

na Auto do boi Macutraia

 

levanta meu boi levanta

que é hora de viajar

acorda boi povo todo

povo e boi tem de lutar

 

olha o rabo do boi é boi

a barriga do boi é boi

olha o chifre do boi é boi

e o couro do boi é boi

 

o meu boi é valente é boi

já chifrou o tenente é boi

é um boi de mercado é boi

e também o delegado é boi


e lá vem Toninho Xita

todos vestido de rosário

vai cantar mais  samba-enredo

pra enriquecer o relicário

 

ê meu boi brasileiro ê boi

pintadinho sem dinheiro ê boi

ê meu boi alazão ê boi

que chifrou o capetão ê boi

 

o meu boi é kabrunco é boi

o meu boi garrutio é boi

o meu boi lamparão ê boi

pra encantar a multidão é boi


o meu boi é jaguar é boi

mãe maria vem cantar vem boi

e meu boi sapatão ê boi

vem também pai joão vem boi

 

o meu boi julivete é boi

já comeu a micheque ê boi

e meu boi operário é boi

já chifrou salafrário ê boi 


o meu boi é cigano é boi

o meu boi é baiano é boi

é também pernambucano é boi

tá  no canto da sereia é boi

tá no rabo da arraia é boi

é um boi carnavalhado é boi

veste calça e veste saia é boi

eita boi da macutraia ê boi


o meu boi jaburu é boi

enfrentou o bangu ê boi

desfilou no ururau ê boi

e ganhou carnaval é boi 


esse boi sem segredo ê boi

esse boi não tem medo ê boi

se um dia passa fome ê boi

noutro dia nós vira samba-enredo

 

Artur Gomes

www.arturkabrunco.blogspot.com


sexta-feira, 3 de março de 2023

Geleia Geral



 Geleia Geral

música poesia informação cultural

aguardem – muito em breve na 

Rádio Caiana

www.radiocaiana.com.br

em breve muitas novidades


Na Caiana Discos  foi onde comecei a comprar os meus primeiros vinis de Rock And Roll, lá pelos início dos anos de 1970. E foi lá também que conheci Luiz Ribeiro,  onde tivemos os nossos primeiros e longos  bate-papos sobre música e poesia e  alguns anos depois se tornou um dos meus grandes  parceiros.

 Foi na Caiana Discos também onde conheci  Paulo André Barbosa.

Por esses e outros acasos a Rádio Caiana é de alguma forma, hoje,  a extensão da minha relação com a música de Luiz Ribeiro, eterno parceiro  e parte viva nessa minha trajetória destes 50 anos de poesia, que este ano comemoro.

 

Artur Gomes



Teatro do Absurdo

 

O quarteto da hipotenusa

versus o quadrado do quarteto

da hipotenusa a musa do quadrado

fosse apenas o retrato na fotografia

mas não sendo hipotenusa

somente musa algaravia

uma palavra mais que estrada

sendo musa multi-via

me levou nessa jornada

para fora da Bahia

todos os santos mar aberto

no abismo a fantasia

de querer mus entretanto

muito mais que poesia 


e ela vai pintando

 o homem com a flor na boca

com seus pincéis de aquarela

poema que só é possível

pelas lentes dos olhos dela

 

na balada ou no bolero

nossas letras se entrelaçaram

pele corpo carne sangue pelos

poros entre tintas entre tantos

anos que  foram pintados

sobre papéis de cartas em fogo

sob o sol  chuva verão inverno

quando qualquer das estações

é primavera

 

e ela era uma estudante de arquitetura que pintou poemas no cachorro louco

e desenhou imagens em Brazilírica Pereira : A Traição das Metáforas 


Artur Gomes 

O Homem Com A Flor Na Boca 

https://fulinaimatupiniquim.blogspot.com/


quarta-feira, 1 de março de 2023

Marca Registrada

 

Marca Registrada

 

não tem problemas

te encontrar na cama

com teu governante

eu sempre soube

tua fome era de prazer

e esse teu amante

esse teu amante baby

sempre foi um grande ditador

 

não entro nessa de pensar que a vida

é marca registrada

numa dissonante do meu rock and roll

pode ser que eu ganhe

um chifre em minha cara

mas o prazer que que eu tenho

é estar de baixo do teu cobertor

 

Artur Gomes/Luizz Ribeiro

Qualquer Prazer – disco vinil

lançado em 1992




gravada também no CD Fulinaíma Sax Blues Poesia – 2002 –No vinil Qualquer Prazer, Marca Registrada é rock and roll, no CD Fulinaíma  Sax Blues Poesia, foi gravada numa versão blues: Luizz Ribeiro (voz e violão) e Ângelo Nani (gaita).


 

Pesquisando no meu Baú de Guardados sobre  o Dia do Rock Goytacá, eis o que encontro

 

O Amor é Cruel

 

Me pinte um retrato

vou te mostrar uma fotografia

o vento vai sussurrar no seu ouvido

o amor é cruel o amor é cruel

quase sempre assim

 

cacos de vidros pés descalço

agora um aviso uma visão

com tudo o que eu sei mas eu duvido

o amor é o céu amor é céu

quando chega ao fim

 

Luizz Ribeiro

Gravada no segundo CD Avyadores do Brazyl


Ainda Estamos Aqui

poema a(r)mado   todo os dias capino a esperança escavando outras palavras no chão desse quintal   e quando escrevo com enxada              ...